Mostrar mensagens com a etiqueta allan kardec. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta allan kardec. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Allan Kardec - Incrédulos e crentes


«uma categoria a que chamaremos incrédulos por decepções. Abrange os que passaram de uma confiança exagerada à incredulidade, porque sofreram desenganos. Então, desanimados, tudo abandonaram, tudo rejeitaram. Estão no caso de um que negasse a boa-fé, por haver sido ludibriado. Ainda aí o que há é o resultado de incompleto estudo do Espiritismo e de falta de experiência. Aquele a quem os Espíritos mistificam, geralmente é mistificado por lhes perguntar o que eles não devem ou não podem dizer, ou porque não se acha bastante instruído sobre o assunto, para distinguir da impostura a verdade. Muitos, aos demais, só vêem no Espiritismo um novo meio de adivinhação e imaginam que os Espíritos existem para predizer a sorte de cada um. Ora, os Espíritos levianos e zombeteiros não perdem ocasião de se divertirem à custa dos que pensam desse modo. É assim que anunciarão maridos às moças; ao ambicioso, honras, heranças, tesouros ocultos, etc. Daí, muitas vezes, desagradáveis decepções, das quais, entretanto, o homem sério e prudente sempre sabe preservar-se […] Uma classe muito numerosa, a mais numerosa mesmo de todas […] é a dos incertos. São, em geral, espiritualistas por princípio. Na maioria deles, há uma vaga intuição das ideias espíritas, uma aspiração de qualquer coisa que não podem definir. Não lhes falta aos pensamentos senão serem coordenados e formulados. O Espiritismo lhes é como que um traço de luz: a claridade que dissipa o nevoeiro. Por isso mesmo o acolhem pressurosos, porque ele os livra das angústias da incerteza.
[…] Se, daí, projectarmos o olhar sobre as diversas categorias de crentes, depararemos primeiro com os que são espíritas sem o saberem. Propriamente falando, estes constituem uma variedade, ou um matiz da classe precedente. Sem jamais terem ouvido tratar da Doutrina Espírita, possuem o sentimento inato dos grandes princípios que dela decorrem e esse sentimento se reflecte em algumas passagens de seus escritos e de seus discursos, a ponto de suporem, os que os ouvem, que eles são completamente iniciados. Numerosos exemplos de tal fato se encontram nos escritores profanos e sagrados, nos poetas, oradores, moralistas e filósofos, antigos e modernos […] Entre os que se convenceram por um estudo directo, podem destacar-se:
1º Os que crêem pura e simplesmente nas manifestações. Para eles, o Espiritismo é apenas uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamar-lhes-emos espíritas experimentadores.
2º Os que no Espiritismo vêem mais do que factos; compreendem-lhe a parte filosófica; admiram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insignificante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracteres. Em nada alteram seus hábitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê-lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o invejoso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.
3º Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as consequências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pendores. As relações com eles sempre oferecem segurança, porque a convicção que nutrem os preserva de pensarem praticar o mal. A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.
4º Há, finalmente, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se sempre tomasse o lado bom das coisas. Em tudo, o exagero é prejudicial. Em Espiritismo, infunde confiança demasiado cega e frequentemente pueril, no tocante ao mundo invisível, e leva a aceitar-se, com extrema facilidade e sem verificação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam. O entusiasmo, porém, não reflecte, deslumbra […] Os meios de convencer variam extremamente, conforme os indivíduos. O que persuade a uns nada produz em outros; este se convenceu observando algumas manifestações materiais, aquele por efeito de comunicações inteligentes, o maior número pelo raciocínio»

Allan Kardec, O LIVRO DOS MÉDIUNS, 1ª pt, cap. III - § 25-29

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Espiritismo

Geralmente fazemos dos Espíritos uma ideia completamente falsa; eles não são, como muitos imaginam, seres abstractos, vagos e indefinidos, nem algo como um clarão ou uma centelha; são, ao contrário, seres muito reais, com sua individualidade e uma forma determinada. Acreditamos ainda que os Espíritos, só pelo facto de serem Espíritos, devem ser donos da soberana ciência e da soberana sabedoria: é um erro que a experiência não tardou a demonstrar. Entre as comunicações feitas pelos Espíritos, algumas são sublimes de profundidade, eloquência, sabedoria, moral, e só respiram bondade e benevolência; mas, ao lado dessas, há aquelas muito vulgares, fúteis, triviais, grosseiras até, pelas quais o Espírito revela os mais perversos instintos.
As instruções dadas pelos Espíritos de categoria elevada sobre todos os assuntos que interessam à humanidade, as respostas que eles deram às questões que lhes foram propostas, foram recolhidas e coordenadas com cuidado, constituindo toda uma ciência, toda uma doutrina moral e filosófica, sob o nome de Espiritismo.
Os factos e princípios sobre os quais ele repousa perdem-se na noite dos tempos, pois encontramos seus vestígios nas crenças de todos os povos, em todas as religiões, na maior parte dos escritores sagrados e profanos.
Se as almas ou Espíritos podem manifestar-se aos vivos, é que isso é natural e, portanto, eles devem tê-lo feito todo o tempo; assim, em qualquer época e lugar encontramos a prova dessas manifestações abundantes, sobretudo nos relatos bíblicos.
Na Antiguidade, o estudo desses fenómenos constituía o privilégio de certas castas que só os revelavam aos iniciados; na Idade Média, os que se ocupavam ostensivamente com isso eram tidos como feiticeiros e, por isso, queimados; mas hoje não há mistérios para ninguém; tudo se passa claramente e todo o mundo pode esclarecer-se.
A própria doutrina que os espíritos ensinam hoje não tem nada de novo; é encontrada em fragmentos na maior parte dos filósofos da Índia, do Egipto e da Grécia, e inteira no ensinamento de Cristo. Em resumo, o Espiritismo suaviza a amargura das tristezas da vida; acalma os desesperos e as agitações da alma, dissipa as incertezas ou os terrores do futuro, elimina o pensamento de abreviar a vida pelo suicídio; da mesma forma torna felizes os que a ele aderem.
Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras; mas é independente de qualquer culto particular. O seu propósito é provar que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo, que ela sofre depois da morte as consequências do bem e do mal que fez durante a vida corpórea; ora, isto é de todas as religiões.
Como crença nos espíritos, também não se afasta de qualquer religião, ou de qualquer povo, porque em todo o lugar onde há homens, há almas ou espíritos; que as manifestações são de todos os tempos, e o relato delas acha-se em todas as religiões, sem excepção. Pode-se, portanto, ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e acreditar nas manifestações dos espíritos.
Como moral, ele é essencialmente cristão, porque a doutrina que ensina é tão-somente o desenvolvimento e a aplicação da do Cristo; e a moral está ao serviço de todo o mundo.
O Espiritismo, sendo independente de qualquer forma de culto, não prescrevendo nenhum deles, não se ocupando de dogmas particulares, não é uma religião, pois não tem nem padres nem templos. Aos que indagam se fazem bem em seguir esta ou aquela prática, ele responde: Se a sua consciência pede para fazê-lo, faça-o; Deus sempre leva em conta a intenção.
Então, o que vem fazer o Espiritismo?

Texto retirado de “O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples” de Allan Kardec e debatido na reunião da AELA, na 3ª feira, dia 13 de Abril de 2010

NOTA:
Em Janeiro de 1862, Allan Kardec publicou, na "Revista Espírita", o seguinte comentário sobre o opúsculo "O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples", que acabava de editar:
"O objectivo desta publicação é dar, num quadro muito sucinto, o histórico do Espiritismo e uma ideia suficiente da Doutrina dos Espíritos, para que se lhe possa compreender o objectivo moral e filosófico. Pela clareza e pela simplicidade do estilo, procuramos pô-lo ao alcance de todas as inteligências. Contamos com o zelo de todos os verdadeiros Espíritas para ajudar à sua propagação. - Allan Kardec"

sábado, 2 de janeiro de 2010

SEJAMOS TAMBÉM FILÓSOFOS


No passado dia 19 de Novembro do ano transacto, celebrou-se o Dia Internacional da Filosofia, instituído em 2002, pela UNESCO. Foi um dia que passou completamente despercebido no nosso País.

De imediato nos veio à ideia a afirmação de Allan Kardec, feita no preâmbulo do seu livro “O que é o Espiritismo”; “O Espiritismo é simultaneamente uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que podemos estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.”

Como filosofia, a Doutrina Espírita assenta, fundamentalmente, no tratado contido no Livro dos Espíritos, o qual foi trazido à Humanidade pelos espíritos superiores e ditado a Kardec, o qual com a sua inteligência e capacidades notáveis deu início à Codificação Espírita.

Poderão alguns - naturalmente não espíritas - afirmar que o Espiritismo não é uma Filosofia, pois não adopta uma linguagem técnica. O Prof. Herculano Pires, em dado momento da sua vida, foi bastante confrontado com essas observações, feitas por alguns formalistas. Não deixando de tomar posição quanto a essa argumentação, fê-lo da seguinte forma: “Seria o caso de perguntarmos se filosofia é uma técnica de linguagem ou um processo de indagação da verdade através do pensamento.”

Em cada um de nós, dos mais cultos aos menos cultos, existe um filósofo em potência, um ser cósmico, talhado para pensar, para descobrir a beleza da vida, tanto material como espiritual, procurar transcender-se até ao Criador. Afinal, filosofar, como disse o Prof. Herculano Pires, é “descobrir no fundo de si, como no fundo do poço, a pureza da verdade nua.”

A definição de Filosofia, feita por Pitágoras, como sendo “O amor da sabedoria”, é concomitantemente simples e profunda. Para atingirmos essa sabedoria, a que se refere o filósofo grego, importa ser um pensador livre, liberto de preconceitos e de dogmas, tão castradores da nossa consciência. E uma das virtudes da Doutrina Espírita é o apelo que esta faz à fé raciocinada. Atente-se nas palavras de Kardec, no O Livro dos Espíritos. Conclusão, item 6: “Faria uma ideia bem falsa do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais [...]. A sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão, ao bom-senso. [...] Fala uma linguagem clara, sem ambiguidades. Nele nada há de místico, nada de alegorias susceptíveis de falsas interpretações: quer ser compreendido por todos, porque chegaram os tempos de fazer os homens conhecerem a verdade [...]. Não exige uma crença cega, quer que se saiba por que crê. Apoiando-se na razão, ele será sempre mais forte do aqueles que se apoiam no nada.”

Kardec foi, sem dúvida, um pedagogo do seu tempo, mas afirmou-se, essencialmente, como o primeiro pensador espírita, o primeiro filósofo espírita, na verdadeira acepção do termo. Deixou-nos um legado notável, um conjunto de estudos, de pensamentos e de reflexões, feitos com invulgar inteligência, inscritos por toda a sua obra, cuja profundidade importa estudar, compreender e divulgar. É necessário, por isso, ler e reler Kardec, não bastando uma mera leitura superficial ou de ocasião. Impõe-se um estudo aprofundado e sistematizado.

A Doutrina Espírita, para quem escolheu a vida espiritual, é um princípio, um meio, mas nunca será o fim. E se procuramos a VERDADE - que está em DEUS -, a Doutrina Espírita é um caminho, de entre vários, pois como disse o filósofo maior JESUS, conhecereis a VERDADE, e a verdade vos libertará. Saibamos, pois, trilhar esse caminho com convicção, firmeza e segurança, pois, inevitavelmente, outros caminhos nos serão oferecidos.

E como ponto final nesta nossa reflexão citamos o filósofo universalista Huberto Rohden, no seu livro de Alma para Alma; “O homem Cósmico está com os pés solidamente firmados na Terra e com a cabeça gloriosamente banhada pela luz eterna do céu e, quando contempla o céu, não perde de vista a Terra.”


João Batista

TÍTULOS EM DESTAQUE