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terça-feira, 22 de março de 2011

CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA - 2011


2011 - CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA

nível 2 - estudos de pesquisa + nível 3 - workshop
Destinatários: formandos com certificação do nível 1
Número de inscrições: mínimo 5
Datas de: início Abril.20 – encerramento Julho.27
Total: 30 hs

Programa:
Doutrina Espírita comparada com outras doutrinas filosóficas e morais, com religiões e com investigações científicas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lei do karma não é lei de causa e efeito

«A palavra karma utilizada na Índia e por muitas correntes filosóficas e religiosas, significa em primeira instância “acção”, “trabalho” ou “efeito”. No sentido secundário, o efeito de uma acção ou, se preferirmos, a soma dos efeitos de acções (vidas) passadas reflectindo-se no presente. Na concepção hindu, karma quer dizer “destino” determinado ou fixo.» in “O Verbo e a Carne” de José Herculano Pires
Ora o destino enquanto determinismo é precisamente um ponto em que a Doutrina Espírita diverge da lei do karma uma vez que esta pressupõe sempre uma dívida a ser resgatada enquanto a Doutrina Espírita se posiciona de modo diferente. A lei de causa e efeito apresenta-nos a ideia de que o futuro depende também das acções e decisões do presente. Uma causa positiva gera um efeito positivo e uma causa negativa gera um efeito igualmente negativo, ou seja, para o Espiritismo cada ser humano é um espírito imortal encarnado que herda as consequências boas ou más das suas encarnações anteriores. Em “O Livro dos Espíritos”, pergunta 1009, lê-se o seguinte: «Dizeis que, acima de tudo, Deus é justo e que o homem não lhe compreende a justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. …no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta sentença: A cada um segundo as suas obras.»
Retendo apenas a frase “A cada um segundo as suas obras” e ignorando a parte onde se refere “que a duração das penas depende dos esforços do culpado” podemos deduzir que significa a aplicação da lei do karma mas vejamos outro trecho do mesmo livro, pergunta 178: «Podem os Espíritos encarnar num mundo relativamente inferior a outro onde já viveram? “Sim, se for para cumprir uma missão e ajudar ao progresso. Aceitam com alegria as dificuldades dessa existência, porque lhes oferecem um meio de avançar.”
Mas, não pode dar-se também por expiação? Não pode Deus degredar para mundos inferiores Espíritos rebeldes? “Os Espíritos podem conservar-se estacionários, mas não regridem. Em caso de estacionamento, a punição deles consiste em não avançarem, em recomeçarem, no meio conveniente à sua natureza, as existências mal-empregadas.”»
E em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. V. § 9, escreveu Kardec: «No entanto, não se deve acreditar que todo o sofrimento suportado aqui na Terra seja, necessariamente, o indício duma determinada falta; muitas vezes, os sofrimentos são simples provas escolhidas pelo Espírito para concluir a sua depuração e acelerar o seu progresso. Assim sendo, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Porém, provas ou expiações, na verdade são sinais duma inferioridade relativa, visto que o que é perfeito não precisa de ser provado. Um Espírito, portanto, pode ter chegado a certo grau de elevação mas querendo avançar mais ainda, solicitar uma missão, uma tarefa a cumprir e pela qual, se sair vitorioso, será tanto mais recompensado quanto mais penosa tenha sido a luta.
E, na mesma linha, escreve Léon Denis em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, 2ª parte: «É necessário evitarmos ver, nas provações e dores da Humanidade, a consequência exclusiva de faltas passadas. Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em vida de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda a pena sofrida.»
E acabando novamente com Kardec e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. V, § 7: «Tanto os sofrimentos devidos a causas anteriores como os resultantes das faltas actuais são, muitas vezes, a consequência da falta cometida, ou seja, por uma rigorosa justiça distributiva, o homem sofre o que fez sofrer aos outros; se foi duro e desumano poderá, por sua vez, ser tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em condições humilhantes; se foi avaro, egoísta ou fez mau uso dos seus haveres, poderá ver-se privado do necessário; … etc.

Texto lido e discutido na AELA em 2 de Fevereiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

SEJAMOS TAMBÉM FILÓSOFOS


No passado dia 19 de Novembro do ano transacto, celebrou-se o Dia Internacional da Filosofia, instituído em 2002, pela UNESCO. Foi um dia que passou completamente despercebido no nosso País.

De imediato nos veio à ideia a afirmação de Allan Kardec, feita no preâmbulo do seu livro “O que é o Espiritismo”; “O Espiritismo é simultaneamente uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que podemos estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.”

Como filosofia, a Doutrina Espírita assenta, fundamentalmente, no tratado contido no Livro dos Espíritos, o qual foi trazido à Humanidade pelos espíritos superiores e ditado a Kardec, o qual com a sua inteligência e capacidades notáveis deu início à Codificação Espírita.

Poderão alguns - naturalmente não espíritas - afirmar que o Espiritismo não é uma Filosofia, pois não adopta uma linguagem técnica. O Prof. Herculano Pires, em dado momento da sua vida, foi bastante confrontado com essas observações, feitas por alguns formalistas. Não deixando de tomar posição quanto a essa argumentação, fê-lo da seguinte forma: “Seria o caso de perguntarmos se filosofia é uma técnica de linguagem ou um processo de indagação da verdade através do pensamento.”

Em cada um de nós, dos mais cultos aos menos cultos, existe um filósofo em potência, um ser cósmico, talhado para pensar, para descobrir a beleza da vida, tanto material como espiritual, procurar transcender-se até ao Criador. Afinal, filosofar, como disse o Prof. Herculano Pires, é “descobrir no fundo de si, como no fundo do poço, a pureza da verdade nua.”

A definição de Filosofia, feita por Pitágoras, como sendo “O amor da sabedoria”, é concomitantemente simples e profunda. Para atingirmos essa sabedoria, a que se refere o filósofo grego, importa ser um pensador livre, liberto de preconceitos e de dogmas, tão castradores da nossa consciência. E uma das virtudes da Doutrina Espírita é o apelo que esta faz à fé raciocinada. Atente-se nas palavras de Kardec, no O Livro dos Espíritos. Conclusão, item 6: “Faria uma ideia bem falsa do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais [...]. A sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão, ao bom-senso. [...] Fala uma linguagem clara, sem ambiguidades. Nele nada há de místico, nada de alegorias susceptíveis de falsas interpretações: quer ser compreendido por todos, porque chegaram os tempos de fazer os homens conhecerem a verdade [...]. Não exige uma crença cega, quer que se saiba por que crê. Apoiando-se na razão, ele será sempre mais forte do aqueles que se apoiam no nada.”

Kardec foi, sem dúvida, um pedagogo do seu tempo, mas afirmou-se, essencialmente, como o primeiro pensador espírita, o primeiro filósofo espírita, na verdadeira acepção do termo. Deixou-nos um legado notável, um conjunto de estudos, de pensamentos e de reflexões, feitos com invulgar inteligência, inscritos por toda a sua obra, cuja profundidade importa estudar, compreender e divulgar. É necessário, por isso, ler e reler Kardec, não bastando uma mera leitura superficial ou de ocasião. Impõe-se um estudo aprofundado e sistematizado.

A Doutrina Espírita, para quem escolheu a vida espiritual, é um princípio, um meio, mas nunca será o fim. E se procuramos a VERDADE - que está em DEUS -, a Doutrina Espírita é um caminho, de entre vários, pois como disse o filósofo maior JESUS, conhecereis a VERDADE, e a verdade vos libertará. Saibamos, pois, trilhar esse caminho com convicção, firmeza e segurança, pois, inevitavelmente, outros caminhos nos serão oferecidos.

E como ponto final nesta nossa reflexão citamos o filósofo universalista Huberto Rohden, no seu livro de Alma para Alma; “O homem Cósmico está com os pés solidamente firmados na Terra e com a cabeça gloriosamente banhada pela luz eterna do céu e, quando contempla o céu, não perde de vista a Terra.”


João Batista

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CARACTER UNIVERSAL


Pensamos que há três situações distintas dos que se reclamam de Universalistas.

A primeira pertence aos materialistas que tomando conhecimento que o nosso veículo físico é também formado pelos elementos que constituem o universo material os leva a considerarem-se universais.

A segunda é a que englobando a parte espiritual a que pertencem as religiões, algumas até usam a palavra universal nas suas próprias denominações, chamando-se a si mesmas - religião universalista - por se acharem possuidores da verdade universal.

Este universalismo é estruturado pelos seus próprios postulados, formados pelas suas interpretações dos livros chamados sacros.

A terceira pertence àqueles que acreditando em Deus, a verdade absoluta, que está em toda a parte e que tudo creou em unidade, adquirem o seu estatuto de Universalistas, porque não se querem separar do todo a que pertencem, ou seja, são de todas as áreas do conhecimento quer material, quer espiritual e não são de nenhuma em particular.

No Universo toda a tendência evolucionista é para a unidade e não para o divisionismo.

Conhecemos espíritas com esta forma de pensar que não deixam de seguir a Doutrina Espírita e bem.

Não podemos negar que na Doutrina Espírita, como em qualquer organização religiosa e não só, existem várias categorias de adeptos: Os ortodoxos, os fundamentalistas, os fanáticos, os bem intencionados, os lúcidos, os instruídos, os ignorantes, os esclarecidos etc. etc.

Será que nós já não pertencemos a qualquer dessas categorias, ou ainda pertencemos a algumas delas?

Pelo estudo que temos feito da Doutrina Espírita temos encontrado nela toda uma tendência Universalista porque o seu Codificador que sendo de base cientifica teve a rara visão inteligente, de unir a ciência à filosofia e estas à religiosidade. A Doutrina Espírita não obriga a nada. A creatura é livre para agir como deseja, mas com a consciência de que todos somos responsáveis pelos próprios actos.

Para além disto, ALLAN KARDEC como cientista que era, sabia que tudo no Universo está em constante transformação e verificamos que na codificação esse assunto era de facto sua preocupação, o que demonstra que este homem era de grande honestidade e competência, dando provas de um carácter universalista, tornando assim a Doutrina Espírita evolucionista e infinita.

Se a Doutrina Espírita é uma Doutrina em evolução, de que racionalmente não se duvida, pois foi o próprio Codificador que obviamente o declarou, logo também é óbvio que os seres humanos que também se encontram em evolução evoluem com ela e ela com eles.

Pelo que sabemos não há qualquer obstáculo a compreender que a Doutrina Espírita conduz à evolução dos Seres humanos, através do seu estudo e prática, isso é um facto comprovado por nós próprios.

E sendo assim jamais poderá ser compreendida como imutável.

Abrame


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