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terça-feira, 29 de março de 2011

Que acrescentam os Espíritos à moral de Cristo?

«não podia a doutrina ser obra nem de um só Espírito, nem de um só médium. Tinha que emergir da colectividade dos trabalhos, comprovados uns pelos outros. 55. Um último carácter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em factos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de factos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas ideias que formaram de Deus. O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará […] Do ponto de vista moral, é fora de dúvida que Deus outorgou ao homem um guia, dando-lhe a consciência, que lhe diz: Não faças a outrem o que não quererias te fizessem. A moral natural está positivamente inscrita no coração dos homens […] A moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor […] Pois bem! os Espíritos vêm, muito simplesmente, aumentar o número dos moralistas, com a diferença de que, manifestando-se por toda parte, tanto se fazem ouvir na choupana, como no palácio, assim pelos ignorantes, como pelos instruídos. O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, princípios que completam as noções vagas que se tinham da alma, de seu passado e de seu futuro, dando por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza. Com o auxílio das novas luzes que o Espiritismo e os Espíritos espargem, o homem se reconhece solidário com todos os seres e compreende essa solidariedade; a caridade e a fraternidade se tornam uma necessidade social; ele faz por convicção o que fazia unicamente por dever, e o faz melhor. Somente quando praticarem a moral do Cristo, poderão os homens dizer que não mais precisam de moralistas encarnados ou desencarnados. Mas, também, Deus, então, já não lhos enviará»

Allan Kardec, A GÉNESE, 1ª pt, cap. I - § 54-56

terça-feira, 22 de março de 2011

CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA - 2011


2011 - CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA

nível 2 - estudos de pesquisa + nível 3 - workshop
Destinatários: formandos com certificação do nível 1
Número de inscrições: mínimo 5
Datas de: início Abril.20 – encerramento Julho.27
Total: 30 hs

Programa:
Doutrina Espírita comparada com outras doutrinas filosóficas e morais, com religiões e com investigações científicas.

domingo, 13 de março de 2011

O ESPIRITISMO E A UNIVERSIDADE

Por Dora Incontri

Uma questão vital para o espiritismo é a sua entrada na universidade. Há no Brasil um grande contingente de acadêmicos espíritas, em diversas áreas do conhecimento. Mas até agora, pouquíssimos assumiram o espiritismo como um discurso científico válido ou se empenharam em demonstrar que Kardec foi um intelectual com contribuições importantes para a filosofia, a ciência, a religião e a pedagogia. Alguns chegam a declarar a inutilidade de tal tentativa, por verem a universidade refratária ou por lhe atribuírem pouca importância, como cenário de debates. Muitos doutores têm uma vida universitária burocrática e, se espíritas, não vêem nenhum motivo para perturbar sua carreira, defendendo uma idéia marginalizada. Assim, a questão é a seguinte: é preciso mesmo levar o espiritismo para a universidade? Por quê? Para quê? Como? Para defender não só a necessidade, mas a urgência de se adentrar o mundo acadêmico com a proposta espírita, farei antes um breve histórico do papel da universidade através dos tempos.

UM POUCO DE HISTÓRIA

A universidade é uma das belas heranças que o final da Idade Média nos deixou. Os séculos XII e XIII, que viram seu início, foram palco das mudanças sociais, culturais e políticas, que desembocariam no Renascimento. Aliás, o século XII é considerado como a primeira etapa do movimento que tomaria mais tarde esse nome. Mas não se pense que a universidade era essa instituição morna e distante de hoje. O brilhante historiador Jacques Le Goff, na obra Os Intelectuais na Idade Média, mostra como era a vida acadêmica de então. Primeiro, muitas das universidades foram fundadas a partir de corporações de estudantes ou professores. E mesmo as apoiadas por imperadores e papas exerceram um papel de democratização e renovação do conhecimento. Foi nessa época, que se deu a transmissão para o Ocidente dos tesouros gregos, que vieram reconduzidos à Europa, graças à exuberante cultura árabe (que, aliás, tinha suas universidades) e à cultura bizantina. Os embriões da ciência moderna começam aí, com o desenvolvimento da matemática, da medicina, da volta do direito romano… E a razão também inicia seu processo de libertação da fé dogmática.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Em Destaque - O Apóstolo do Espiritismo

O APÓSTOLO DO ESPIRITISMO

de Gaston Luce



Esta obra é uma biografia de Léon Denis por Gaston Luce e em PRÓLOGO, ou capítulo 1, podemos ler o seguinte:

- «A morte de Léon Denis, ainda tão recente, deixou um grande vazio nas fileiras espíritas do Ocidente e por todas as partes do mundo onde sua obra penetrou […] na qual sua doutrinação aparece em toda a plenitude e poder, dela retirando os mais substanciosos ensinamentos […] A fé que extraímos dela é contagiante, geradora de esperança e de coragem varonil. Eis porque tantos leitores de todas as classes sociais e de todas as regiões encontraram nela virtudes bem eficazes. Sem dúvida alguma, devemos dar crédito à Ciência, desejar o maior êxito nas actuais pesquisas da Metapsíqui¬ca, evitando, porém, repisar os mesmos temas […]
«A nova revelação que o Espiritismo nos apresenta, alicerçada em bases experimentais, é, acima de tudo, de ordem moral: eis o que não se deve esquecer.
«O Espiritismo será científico ou não subsistirá. Certamente, a afirmativa é excelente, com a condição de que não o subordinem a uma ciência vacilante e tímida e não se abandone o verdadeiro caminho da alma.
Léon Denis está entre os que se recusam subordinar a Filosofia, a velha sabedoria humana, às únicas regras da experimentação, porque, nesse domínio, não se trata mais de matéria tangível. A concepção mecanicista do mundo é insuficiente e a única testemunha dos sentidos é de flagrante indigência. Assim, não se querendo limitar unicamente aos factos, volta-se para a mais evidente realidade, a do Espírito (Razão, Consciência, Sentimento), a única que pode conduzir à Causa Primária e liga, em verdade, o homem ao Universo.
«Concepção religiosa? Se o quisermos; porém, a característica do homem não é ser um animal religioso? Consciente de sua pequenez, no seio da criação, Léon Denis mantém uma invencível fé na imanente justiça, na perfeição das leis eternas, na bondade de Deus. Daí sua permanente serenidade.
«O que caracteriza sua filosofia são os altos voos, é o amor ao aperfeiçoamento. Sua última palavra de ordem é: Santifica-te! Evolui! - a vida é uma ascensão - sempre para mais alto!
«Uma tal vida, consagrada exclusivamente à busca da Verdade, ao estudo e à meditação, não deixaria transparecer os aborrecimentos e as inquietações tão comuns […]
«Que possamos, em nosso desejo de reverenciar tão querida memória, ter posto em destaque a nobre figura do bom Mestre de Tours, o Apóstolo do Espiritismo, como era denominado o destemido mensageiro da Boa Nova, cujo nome desperta no mundo, entre os que leram seus livros, um profundo reconhecimento e uma piedosa veneração, servindo, ao mesmo tempo, a uma Causa - bela entre todas»

Esta obra está dividida em 7 capítulos e subdividida em outros mais, cujos títulos transcrevemos, pelo menos alguns, para referência: INFÂNCIA E JUVENTUDE - OS INÍCIOS - O APOSTOLADO - A VELHICE - O HOMEM - A OBRA - EM TOURS - A GUERRA - O GRUPO DA RUA CIRNE - OUTRA VIAGEM - O CONFERENCISTA DA LIGA DO ENSINO - PRIMEIRAS OBRAS - O CONGRESSO ESPIRITUALISTA INTERNACIONAL DE 1889 - O ORADOR - O ESCRITOR .
Em APÊNDICES podemos encontrar, também como exemplo, os seguintes títulos: ROTEIRO DOUTRINÁRIO DE LÉON DENIS - LÉON DENIS NOS CONGRESSOS ESPÍRITAS - RENOVAÇÃO - TRECHO DE UMA COMUNICAÇÃO DE LÉON DENIS – OBTIDA EM TOURS – APÓS SUA MORTE

As transcrições a seguir referidas têm como objectivo facultar a observação do estilo do autor e da abordagem temática:

- «Léon Denis nasceu em 1° de janeiro de 1846, em Foug, pequena localidade de Toul, atravessada pela grande ferrovia Paris-Strasbourg.
«Notou-se que seu nome está incluído no do Grande Iniciador Allan Kardec, que se chamava, na realidade, Léon Denizard Rivail.
«Simples coincidência, dirão uns; pelos menos, uma singular analogia, pensarão outros»

- «Abrindo-se uma vaga na Casa da Moeda de Bordeaux, seu pai conseguiu transferência para essa cidade. Nova mudança e novas despesas.
«O salário do chefe de família era insuficiente para manter a casa. Léon teve que interromper seus estudos para acompanhar seu pai e ajudá-lo em seu trabalho de polimento das moedas.
«O pobrezinho esforçava-se ao máximo nesse ingrato trabalho: seus delicados dedos se tingiam de sangue para descolar as lâminas de cobre. Entretanto, as poucas moedas que conseguia ajudavam a melhorar o magro ordenado paterno.
«Em março de 1857, a Casa da Moeda terminou a refundição das moedas de cobre e Joseph Denis empregou se na Companhia das Estradas de Ferro do Sul. Após curto estágio como carteiro da estação de Bordeaux, conseguiu o emprego desejado: estava nomeado chefe da estação de Morcenx, em Landes.
«A família ia achar um abrigo menos precário. Não era uma ótima situação, certamente, porém, bastava para assegurar as necessidades da casa. Além disso, abria perspectiva de uma vida mais estável, o que era do agrado da Sra. Denis. Finalmente, seu pequeno Léon poderia recomeçar seus estudos interrompidos. Seu grande desejo se realizava»

- «Em Giovanna, Léon Denis traça um esboço muito apurado, o que se poderia chamar de romance espírita, género já tratado, desde então, por excelentes escritores cuja audácia teve justificado sucesso. A acção desenrola-se ainda na Itália. Notamos, de passagem, a viva influência que exerceu em sua sensibilidade de escritor essa terra clássica das artes, cuja língua ele falava e cujos poetas gostava de citar.
«A narrativa começa com uma admirável descrição do Lago de Como:
Esse pedaço do céu da Itália, caído entre as montanhas, esse Paraíso Maravilhoso, onde reina a Natureza, enfeitada para uma eterna festa.
«É em Gravedona, ao norte do Monte Lario, entre os altos cumes dos Alpes, que se desenvolve o tocante idílio do romance. O enredo é de extrema simplicidade. Entre os pobres habitantes de Gravedona, a meiga Giovanna aparece como uma madona de um quadro de Luini.
«Giovanna é uma bela moça empenhada em socorrer a miséria em seu derredor; uma dessas naturezas especiais, que aparecem por um instante, entre os homens, para consolá-los por sua feiura física e enfermidades morais e que logo retornam à sua verdadeira pátria: o Céu. Giovanna Speranzi nasceu na Vila das Almecegueiras, de onde são vistos, do vale, os terraços alvacentos. Seus 18 anos escoaram nesses lugares bafejados pelo Sol e pelas flores. Dizem que a alma está ligada por secretas influências às regiões que ela habita e que participa da graça ou da rudeza do ambiente»

- «Os verdadeiros teólogos não podem desconhecer a analogia gritante que existe entre os fenómenos espíritas e os da doutrina cristã. Parece que, embora um pouco tardiamente, isto vai sendo hoje compreendido. O escritor espírita destacava, a seguir, com energia, quanto a atitude da Igreja contemporânea é contrária à sua própria doutrina e prejudicial a seus interesses e aos da civilização inteira. «Para introduzir na vida individual e colectiva elementos de disciplina, a religião deve colocar-se em harmonia com as necessidades intelectuais, com os conhecimentos e as aspirações da época.
«Ora, a Igreja Católica e as Igrejas Cristãs perpetraram o erro de crer que a comunhão espiritual estabelecida pelo Cristo entre ela e o mundo invisível tinha um carácter exclusivo e temporário, quando essa comunhão é, na verdade, permanente e universal. «Conclui-se que secou para elas a fonte de onde jorram, abundantemente, as forças, os socorros e as inspirações do Alto. «O influxo divino não veio mais fecundar o espírito do Catolicismo; a incredulidade e o ateísmo submergiram tudo»

- «A tradução de seu consolador livro Depois da Morte acaba de ser lançada em Leipzig. De todos os lados, o Mestre recebe cartas de discípulos, de visitantes estrangeiros de passagem, que desejam conhecer, em Tours, um estranho Loreno.
«Deliberadamente, Denis desprezou a Literatura e a Política, para assumir a tarefa ingrata de defender e de propagar as mais extravagantes teses, do ponto de vista dos professores, dos jornalistas e de outras categorias de cépticos. Sua consagração, no Congresso Internacional de 1925, foi magnífica e jornalistas incrédulos, como Géo London, do Journal, reconheceram e confessaram a sublimidade da Doutrina Espírita»

DESEJAMOS UMA BOA LEITURA!

Carmen, 2010.Nov17.AELA-Destaques

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ainda, e novamente, a frase "Vós sois deuses"

A propósito da frase «Vós sois deuses» da qual a Ana e o Filipe fizeram leituras diferentes numa reunião de 3ª feira, aqui se deixam expressas as duas opiniões de modo a que possa, cada um, também debruçar-se sobre o assunto. Como sempre, o tema é aberto a todos e quaisquer comentários que hajam por bem querer fazer até porque o tema é interessante e vale certamente a pena continuar a ser analisado.


- Meu querido amigo, que eu me recorde não tivemos nenhuma diferença de opinião acerca da frase "Sois Deuses". Entendo-a como a apreendi, com racionalidade e lógica pois sendo eu uma parte de Deus, EU SOU. Obviamente que tal não implica que eu tenho o poder de Deus, ou que possa tê-lo algum dia. Acho que tudo isso ficou explícito e bem esclarecido na conversa e nas observações posteriores dadas pelo Sr. Bandeira. Além disso podes comprovar o mesmo no Evangelho Segundo o Espiritismo no Capitulo XVII "Sede Perfeitos" que explica o que eu não consegui transmitir, porque o meu principal objectivo era a análise do texto que li. Mas, voltando à nossa frase, a tradução Sois Deuses está correcta, senão Jesus não diria: "Sede Perfeitos como vosso Pai Celestial é Perfeito".
No que nós discordámos foi que tu disseste que tal frase não estava escrita em lado nenhum senão nos Salmos. Eu apenas afirmei que não era bem assim e afinal, para grande alegria minha vejo que me envias textos do Novo Testamento, exactamente aquele que eu referi, João, 10 (32-34). Claro que este tipo de frase, tirada do seu contexto é exagerada e pode levar a mal entendidos e aí sim, claro que estou de acordo contigo. Mas penso que não era o caso até porque em todos estes anos que frequento a AELA sempre ouvi esta frase maravilhosa proferida pelo "nosso" querido amigo Bandeira, com a devida ressalva e explicação que tal se aplica porque somos emanação divina, e o resto tu já sabes.
Penso que estamos esclarecidos. Certo?
Se entretanto quiseres pegar neste texto e inseri-lo como resposta no Blogue podes fazê-lo, como comentário, ou como melhor entenderes.


- O que eu queria dizer, na altura, era que Jesus nunca disse a frase “Vós sois deuses” assumindo-a como sua nem como seu ensinamento. O episódio em que surge esta frase vem descrito no Evangelho de João, capítulo 10, versículos 22 a 39 e, nele, Jesus cita a antiga lei referindo-se-lhe como a vossa lei - «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’?» - e silencia os judeus que se apegavam à letra da lei quando diz «Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus - e a Escritura não se pode pôr em dúvida -». Partilho da leitura que defende que Jesus condicionou ao Antigo Testamento o conceito deuses (elohim) que tinha, na antiga lei, um significado diferente - «Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus» - reenquadrando-o na perspectiva da centelha divina, que todos somos, como filhos de Deus e, nessa perspectiva, "o Pai está em mim e Eu no Pai". Aliás, ainda no mesmo diálogo, Jesus não se define como Deus, demarcando-se dessa afirmação ao definir-se como Filho de Deus - «como é que dizeis: ‘Tu blasfemas’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’?». Se Jesus quisesse dizer que, efectivamente, nós somos deuses, seria de esperar que Ele o tivesse referido noutras ocasiões ao longo do seu apostolado. Ora nem os Evangelhos, pelo menos os canónicos, nem as Epístolas nem os Actos dos Apóstolos, referem Jesus a usar esta expressão. Que me lembre, assim dita, só aparece uma única vez, na cena descrita com os judeus e, na leitura que faço, Jesus não diz que somos deuses. Ao perguntar aos judeus “não sois vós que dizeis que” não assume que seja Ele a dizê-lo ou que alguma vez o tenha dito.
Finalmente, e como bem dizes, «este tipo de frase, tirada do seu contexto é exagerada e pode levar a mal entendidos». É também o que penso, querida amiga. Na sociedade actual perdeu-se o sentido da história e, por consequência, da relatividade dos conceitos. E ao dizer-se "nós somos deuses" utilizando um conceito de deuses que era específico do Antigo Testamento, arriscamo-nos a endeusar-nos dum modo errado com a mensagem errada.


NOTAS:
- Este tema já foi objecto, no blog, dum post anterior nesta ligação http://aeluzamor.blogspot.com/2010/02/nos-somos-deuses.html
- Quem queira consultar “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e não o possua, pode fazê-lo nesta ligação
http://www.allan-kardec.com/Allan_Kardec/L_evangile_selon_le_spiritisme/evan_br.pdf

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O ESPIRITISMO E A DIVERSIDADE DE OPINIÕES

Rodrigo Luz



O Codificador do Espiritismo, reunindo sensatez e clareza de raciocínio, afirmou com perfeito entendimento da natureza humana e sua diversidade de opiniões:
"[...] Uma reunião [espírita] não pode ser estável, nem séria, se não há simpatia entre os que a compõem; e não pode haver simpatia entre pessoas que têm idéias divergentes e que fazem oposição surda, quando não aberta. Longe de nós dizermos com isso que se deva abafar a discussão; ao contrário, recomendamos o exame escrupuloso de todas as comunicações e de todos os fenômenos. Fique, pois, bem entendido, que cada um pode e deve externar a sua opinião; mas há pessoas que discutem para impor a sua, e não para se esclarecer. É contra o espírito de oposição sistemático que nos levantamos; contra as idéias preconcebidas, que não cedem nem mesmo perante a evidência. Tais pessoas incontestavelmente são uma causa de perturbação, que é preciso evitar. A este respeito, as reuniões espíritas estão em condições excepcionais. O que elas requerem acima de tudo é o recolhimento. Ora, como estar recolhido se, a cada momento, somos distraídos por uma polêmica acrimoniosa? Se, entre os assistentes, reina um sentimento de azedume e quando sentimos à nossa volta seres que sabemos hostis e em cuja fisionomia se lê o sarcasmo e o desdém por tudo quanto não concorde inteiramente com eles?". [KARDEC, Allan. A Revista Espírita. Dezembro de 1861. Organização do Espiritismo. Item 8.]
Allan Kardec, espírito austero e dedicado, reconhece que não há como haver simpatia entre pessoas que têm idéias divergentes e cuja oposição surda ou aberta dá espaço à falta de urbanidade e de civilidade. Geralmente estas fecham seus ouvidos às opiniões contrárias, e negam a priori qualquer forma de pensar que não seja a sua.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Em Destaque - O Sentido da Vida por José Herculano Pires

O SENTIDO DA VIDA

de José Herculano Pires




Jorge Rizzini faz referência a Herculano Pires - Sobre o Autor - titular do grau de Mestre em Filosofia da Educação, membro da Sociedade Brasileira de Filosofia, Director da União Brasileira de Escritores, Presidente do Instituto Paulista de Parapsicologia, etc, como um homem múltiplo em todas as áreas do conhecimento em que desenvolveu actividades.
Demonstrando sempre uma inteligência superior, brilhava com grande magnitude promovendo o crescimento espiritual de todos com quem convivia.
Identificou-se Espírita desde os 22 anos, investigando as águas cristalinas da Codificação Kardecista e defendeu com a maior competência esta pureza doutrinária.

Seguidamente, e já sobre o tema da obra O Sentido da Vida, podemos ler o seguinte:

- «O Espiritismo, entretanto, ao surgir na Terra, em forma de filosofia e, portanto, de interpretação da vida, em meados do século XIX […] Negou que a vida não tenha objectivo nem significação, combateu a teoria do prazer material como finalidade da existência humana e manifestou-se contrário à idéia de que o homem nasceu para sofrer. […] O Espiritismo renovou fundamentalmente a concepção humana da vida e do mundo, ensinando ao homem que ele não nasceu para gozar nem para sofrer, mas apenas para evoluir, para progredir, como tudo evolui e progride ao nosso redor, na natureza e na própria sociedade. A dor deixou de ser um castigo imposto ao homem pela absurda vingança de Deus contra o casal primitivo; o prazer deixou de ser o objectivo aceitável da existência corpórea e ambos, prazer e dor, passaram a ser meras decorrências de um processo mais amplo e mais complexo, em que o homem se acha envolvido, para crescer e se desenvolver, em espírito e verdade»

Esta obra, dividida em 15 capítulos, apresenta, por exemplo, os seguintes temas, intitulados: A Formação do Homem - Deus e o Homem - Cérebro e Espírito - Materialismo e Idealismo - Imortalidade Pessoal - Sociologia Espírita - Espiritismo e Cristianismo - Amar a Deus e Síntese Final.

As transcrições, referidas seguidamente, têm como objectivo facilitar a observação do estilo do autor e da abordagem temática:

- «Espírito cauteloso, que Flammarion chamou de bom senso encarnado, não quis o sábio professor de Lyon adiantar mais do que devia […]: Ainda que isso lhe fira o orgulho, o homem deve resignar-se a não ver no seu corpo material senão o último anel da vida animal na Terra. O inexorável argumento dos factos aí está, contra o qual ele protestará em vão, mas, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, mais ganha em importância o princípio espiritual. Vemos o círculo em que se fecha o animal, mas não vemos o limite a que poderá chegar o espírito do homem.
«Um dos grandes pioneiros e mestres do Espiritismo, que auxiliaram a tarefa esclarecedora de Allan Kardec, foi Gabriel Delanne. Com Léon Denis e Kardec, forma ele a trilogia dos construtores do moderno espiritualismo. Em sua obra A Evolução Anímica, dá-nos uma visão ainda mais ampla e minuciosa desse lento processo através do qual o homem vem sendo elaborado, na face da Terra […]

- «O Espiritismo nos mostra a outra face da questão, e por certo a mais importante, que é a espiritual, uma vez que o homem é espírito e não matéria. Kardec e Delanne colocam-nos a par dos princípios de um novo ramo da ciência biológica, a psicologia-fisiológica, que sir Oliver Lodge estuda em seu trabalho sobre a formação do homem.
«Toda a natureza é um imenso e penoso trabalho de construção […] as várias classes de seres vivos estão todas ligadas numa ampla cadeia, descendendo umas das outras. Por que estranho motivo apenas o homem seria uma excepção à regra geral? […] qual seria sua posição, num mundo de constante evolução? Tudo progrediria ao seu redor, menos ele, o enteado da criação, abandonado às suas próprias fraquezas e encerrado no estreito limite da vida orgânica, entre o berço e o túmulo.
«Vemos, assim, que o Espiritismo nos apresenta um quadro geral do Universo como um processo contínuo de evolução. Tudo flui e tudo se transforma, já dizia Heráclito, de Éfeso. Nesse imenso processo, o homem representa, segundo o Espiritismo, o ponto culminante da natureza. Poderemos dizer que ele é o momento do Universo mais próximo de Deus.
«Mas Ele – Deus – não foi esquecido ou diminuído por essa nova concepção da vida e do mundo? Deus não ficou à margem, dando lugar a um simples entrechoque de forças desconhecidas, para a produção do mundo e das formas vivas, no espaço e no tempo? […]
«Comentando a teoria científica de que as coisas do Universo provêm das propriedades íntimas da matéria, sem intervenção de qualquer outro princípio, Kardec diz […]: Atribuir a formação primordial das coisas às propriedades intrínsecas da matéria seria tomar o efeito pela causa, pois que essas propriedades são, por sua vez, efeitos que devem ter uma causa»

- «O Espiritismo nos ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, segundo a lição dos textos sagrados, e nos mostra, aliás, que é absolutamente indispensável fazermos isso, se quisermos cumprir a nossa tarefa terrena, alcançar o objectivo supremo da nossa encarnação neste planeta expiatório. E isso pelo simples motivo de que sendo Deus eterno, imutável e imaterial, devemos colocar o nosso interesse acima das coisas transitórias, mutáveis e materiais, que nos cercam e nos prendem à existência terrena. Sendo Deus único e omnipotente, nele devemos confiar e esperar, e não em outros seres e outras coisas, por mais belas e fascinantes que elas nos sejam apresentadas.
«Mas o que é mais importante para todos nós, pequenos bichos da terra, tão pequenos, como dizia Camões, é que, sendo Deus soberano, justo e bom, é evidentemente a suprema justiça e a suprema bondade, pelo que devemos amar a justiça e a bondade acima de toda injustiça e de toda maldade. Amando a Deus sobre todas as coisas, através daquilo que de Deus podemos conhecer, que são os seus atributos, seremos capazes de realmente colocar Deus acima de tudo e de todos […]
«Pois o homem que ama a Deus, em espírito e verdade, sobre todas as coisas, está sempre com a verdade, a justiça, o amor, a bondade, a pureza, contra mesmo os seus próprios interesses da vida material. «Coloca o seu amor a Deus acima das vantagens que pode auferir na vida, sempre que prefere a verdade à mentira, por mais fascinantes que sejam as promessas desta»

- «Na vida comum […] quase todos, somos espíritos confinados, somos doentes, apegados à rotina de uma vida sem sentido, lutando contra as águas do rio da vida, que nos querem levar para a libertação. Se quisermos continuar nessa atitude, só poderemos aumentar os nossos sofrimentos e as nossas dores. A lição do Cristo se torna, pois, muito clara, diante dos ensinamentos espíritas. A vida não é fixa, não é sólida, não é estável. É fluente e mutável. Se quisermos salvar a nossa vida, fixando-nos em nossos hábitos e em nossas ideias, perdê-la-emos, porque o fluxo constante das coisas nos libertará de súbito, nos atirará para frente, com ímpeto irresistível. Se, pelo contrário, concordamos em sacrificar a nossa vida por amor do Cristo, ou seja, trocar o nosso apego às pequeninas coisas da existência passageira pela compreensão das verdades eternas, por ele ensinadas, salvá-la-emos.
«Compreendamos, pois, antes de tudo, a nossa verdadeira posição diante da vida, e procuremos nos adaptar a ela […] O próprio Espiritismo não é um sistema rígido. A sua natureza é dinâmica, progressiva»

- «Desapegarmo-nos das coisas não quer dizer desprezá-las. O grande espiritualista hindu, Râmakrishna, dizia aos seus discípulos que eles deviam viver como uma ama-de-leite […]
«A princípio, é natural, encontraremos grandes dificuldades. Mas pouco a pouco aprenderemos a olhar a vida e o mundo de um ponto de vista espírita. E então os acontecimentos que habitualmente nos surpreendiam, nos transtornavam e nos causavam dor e angústia, passarão a nos afectar levemente, como simples arrepios do vento na superfície de um lago. Encontraremos a paz da compreensão, a serenidade inalterável da exacta visão das coisas, em que dia a dia mais penetraremos»

DESEJAMOS UMA BOA LEITURA!

Carmen, 2010.Set15.AELA-Destaques

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ÀREA Q

Produtor de "Bezerra de Menezes" (2008), precursor da onda espírita no cinema brasileiro, Luis Eduardo Girão está em Los Angeles a fim de negociar a distribuição de mais um filme do mesmo segmento. 



Trata-se "Área Q", uma coprodução Brasil/Estados Unidos, com a participação de Isaiah Washington, ator texano da série "Grey's Anatomy", e os brasileiros Tânia Kalhil e Murilo Rosa. O longa mistura ufologia, reencarnação e comunicação com espíritos. 




"Área Q" foi filmado no Ceará, Estado do produtor, e em Los Angeles. Foram as cidades cearenses de Quixadá e Quixeramobim, conhecidas pelo suposto aparecimento de ovnis (objetos voadores não-identificados), que deram o nome ao longa. Já Los Angeles é a terra do protagonista, um repórter (Isaiah Washington) que viaja ao Ceará para investigar fenômenos misteriosos. As filmagens de "Área Q" já terminaram, assim como as de outro filme espírita de Girão, "As Mães de Chico Xavier", a respeito de mensagens psicografadas. O longa é inspirado no livro "Por trás do Véu de Ísis", de Marcel Souto Maior, também autor da biografia de Chico Xavier que deu origem ao filme de Daniel Filho, a maior bilheteria do cinema nacional do ano. Girão conta à Folha que "As Mães de Chico Xavier" já tem data de lançamento: 1º de abril do próximo ano, com distribuição da Paris Filmes. 



sábado, 22 de agosto de 2009

ESPIRITISMO: OBJECTIVO PRINCIPAL E DOUTRINAÇÃO

Em tempo de férias, proponho um tema de reflexão que pode, eventualmente, ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre esta matéria. E se, ao invés, o texto suscitar novas perguntas, é sinal que cumpriu também a sua função como elemento do interesse em querer saber mais.

Filipe

Espiritismo: objectivo principal e doutrinação

«O objectivo principal do Espiritismo não é assistência material que se presta caridosamente aos necessitados; não é a cura de moléstias sempre úteis à purificação de corpo e espírito; nem tampouco a fenomenologia ostentada pelas sessões de efeitos físicos, nem a maioria dos actos e práticas realizados diariamente nas associações espíritas mas, sobretudo, a espiritualização, repetimos, a evangelização. Por isso é que Allan Kardec asseverou, de forma incisiva e inspirada "que se conhece o verdadeiro espírita pela transformação moral pela qual ele passa"; o homem velho, do passado, cheio de vícios, defeitos, paixões e impulsos animalizados, transmutando-se no homem novo, moralmente renovado, voltado agora para a vida virtuosa, preocupado com a conduta e as realizações próprias desse campo. Assim, pois, resumindo e repetindo, diremos que a finalidade principal do Espiritismo é a evangelização e o esclarecimento das almas, e que todas as demais modalidades ou aspectos do problema são secundários ou decorrentes. O processo mais viável e seguro de se atingir esse alto objectivo é, ainda e sempre, aquele que o Evangelho aponta: a renovação dos sentimentos para se obter, como consequência, a purificação de pensamentos e actos; em seguida, a conquista de virtudes morais que faltam a todos os seres humanos nos graus inferiores da evolução; e, por último, a busca do Reino de Deus, pelo uso e pela prática dessas virtudes no campo da vida social. Como não pode haver pureza espiritual em corpo poluído, é necessário, antes de mais nada, combater os vícios mais comuns, como sejam, o fumo, o alcoolismo, o jogo, a gula (aliás, para os passes individuais convém observar que só deve dar passes o médium que não for viciado em álcool e/ou fumo porque, nesses casos, transferirá para os doentes os venenos armazenados no seu próprio organismo); depois, as paixões mais generalizadas como a sensualidade, a avareza, a brutalidade, etc., como ainda os defeitos morais: orgulho, egoísmo, hipocrisia, maledicência, etc., travando contra eles luta tenaz e porfiada.
Relativamente ao trabalho prático numa sessão espírita: muitos espíritos desencarnados demoram longo tempo na inconsciência ou na readaptação. Para facilitar o seu despertar ou o seu esclarecimento, esses Espíritos são trazidos às sessões de doutrinação, e aí ligados, momentaneamente, a médiuns de incorporação para ajudar ao despertar e ao retomar o caminho do aperfeiçoamento espiritual. Doutrinar Espíritos não é tarefa fácil e exige conhecimentos doutrinários bastante desenvolvidos; por outro lado, é necessário possuir o doutrinador senso psicológico para poder captar com rapidez a verdadeira feição moral do caso que defronta e, em consequência, encaminhar a doutrinação no devido rumo; como também é necessário possuir paciência e bondade, humildade e tolerância, porque somente com auxílio destas virtudes, pode ele enfrentar os casos difíceis da doutrinação de Espíritos maldosos, zombeteiros e intelectuais empedernidos. A consulta a livros doutrinários não basta, porque eles não podem entrar em certos pormenores que pertencem ao trabalho prático, à experiência pessoal amadurecida com o tempo e com embate das diferentes modalidades que o problema apresenta. A doutrinação tem inúmeros aspectos e visa não somente Espíritos denominados sofredores, mas também Espíritos ignorantes que permanecem em esferas de embrutecimento; Espíritos maldosos que se devotam ao mal conscientemente; Espíritos intelectualmente desenvolvidos, mas que ainda não penetraram no caminho da redenção espiritual. Por outro lado, é preciso considerar que a doutrinação não pode ser imposta a poder de argumentos; é, preferentemente, uma colaboração de carácter evangélico em bem do próximo; os pontos de vista e os desejos dos Espíritos, salvo nos casos de inconsciência, devem ser respeitados porque o livre-arbítrio é sagrado. Assim, o Espírito que, sendo consciente e livre, recusa ou despreza a doutrinação, não deve ser forçado a ouvi-la ou ameaçado de represálias. Ao contrário, deve ser convidado a voltar noutra ocasião e, em seguida, despedido cordialmente não se perdendo mais tempo com ele ou estabelecendo discussões intermináveis e irritantes, que sempre acabam por diminuir a autoridade moral do doutrinador.
Este deve jogar a sua semente e esperar que ela germine no coração do visitante empedernido.»


Texto retirado de “Prática Mediúnica” de Edgard Armond (analisado na reunião da AELA do dia 3/02/2009)

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