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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Em Destaque - O Sentido da Vida por José Herculano Pires

O SENTIDO DA VIDA

de José Herculano Pires




Jorge Rizzini faz referência a Herculano Pires - Sobre o Autor - titular do grau de Mestre em Filosofia da Educação, membro da Sociedade Brasileira de Filosofia, Director da União Brasileira de Escritores, Presidente do Instituto Paulista de Parapsicologia, etc, como um homem múltiplo em todas as áreas do conhecimento em que desenvolveu actividades.
Demonstrando sempre uma inteligência superior, brilhava com grande magnitude promovendo o crescimento espiritual de todos com quem convivia.
Identificou-se Espírita desde os 22 anos, investigando as águas cristalinas da Codificação Kardecista e defendeu com a maior competência esta pureza doutrinária.

Seguidamente, e já sobre o tema da obra O Sentido da Vida, podemos ler o seguinte:

- «O Espiritismo, entretanto, ao surgir na Terra, em forma de filosofia e, portanto, de interpretação da vida, em meados do século XIX […] Negou que a vida não tenha objectivo nem significação, combateu a teoria do prazer material como finalidade da existência humana e manifestou-se contrário à idéia de que o homem nasceu para sofrer. […] O Espiritismo renovou fundamentalmente a concepção humana da vida e do mundo, ensinando ao homem que ele não nasceu para gozar nem para sofrer, mas apenas para evoluir, para progredir, como tudo evolui e progride ao nosso redor, na natureza e na própria sociedade. A dor deixou de ser um castigo imposto ao homem pela absurda vingança de Deus contra o casal primitivo; o prazer deixou de ser o objectivo aceitável da existência corpórea e ambos, prazer e dor, passaram a ser meras decorrências de um processo mais amplo e mais complexo, em que o homem se acha envolvido, para crescer e se desenvolver, em espírito e verdade»

Esta obra, dividida em 15 capítulos, apresenta, por exemplo, os seguintes temas, intitulados: A Formação do Homem - Deus e o Homem - Cérebro e Espírito - Materialismo e Idealismo - Imortalidade Pessoal - Sociologia Espírita - Espiritismo e Cristianismo - Amar a Deus e Síntese Final.

As transcrições, referidas seguidamente, têm como objectivo facilitar a observação do estilo do autor e da abordagem temática:

- «Espírito cauteloso, que Flammarion chamou de bom senso encarnado, não quis o sábio professor de Lyon adiantar mais do que devia […]: Ainda que isso lhe fira o orgulho, o homem deve resignar-se a não ver no seu corpo material senão o último anel da vida animal na Terra. O inexorável argumento dos factos aí está, contra o qual ele protestará em vão, mas, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, mais ganha em importância o princípio espiritual. Vemos o círculo em que se fecha o animal, mas não vemos o limite a que poderá chegar o espírito do homem.
«Um dos grandes pioneiros e mestres do Espiritismo, que auxiliaram a tarefa esclarecedora de Allan Kardec, foi Gabriel Delanne. Com Léon Denis e Kardec, forma ele a trilogia dos construtores do moderno espiritualismo. Em sua obra A Evolução Anímica, dá-nos uma visão ainda mais ampla e minuciosa desse lento processo através do qual o homem vem sendo elaborado, na face da Terra […]

- «O Espiritismo nos mostra a outra face da questão, e por certo a mais importante, que é a espiritual, uma vez que o homem é espírito e não matéria. Kardec e Delanne colocam-nos a par dos princípios de um novo ramo da ciência biológica, a psicologia-fisiológica, que sir Oliver Lodge estuda em seu trabalho sobre a formação do homem.
«Toda a natureza é um imenso e penoso trabalho de construção […] as várias classes de seres vivos estão todas ligadas numa ampla cadeia, descendendo umas das outras. Por que estranho motivo apenas o homem seria uma excepção à regra geral? […] qual seria sua posição, num mundo de constante evolução? Tudo progrediria ao seu redor, menos ele, o enteado da criação, abandonado às suas próprias fraquezas e encerrado no estreito limite da vida orgânica, entre o berço e o túmulo.
«Vemos, assim, que o Espiritismo nos apresenta um quadro geral do Universo como um processo contínuo de evolução. Tudo flui e tudo se transforma, já dizia Heráclito, de Éfeso. Nesse imenso processo, o homem representa, segundo o Espiritismo, o ponto culminante da natureza. Poderemos dizer que ele é o momento do Universo mais próximo de Deus.
«Mas Ele – Deus – não foi esquecido ou diminuído por essa nova concepção da vida e do mundo? Deus não ficou à margem, dando lugar a um simples entrechoque de forças desconhecidas, para a produção do mundo e das formas vivas, no espaço e no tempo? […]
«Comentando a teoria científica de que as coisas do Universo provêm das propriedades íntimas da matéria, sem intervenção de qualquer outro princípio, Kardec diz […]: Atribuir a formação primordial das coisas às propriedades intrínsecas da matéria seria tomar o efeito pela causa, pois que essas propriedades são, por sua vez, efeitos que devem ter uma causa»

- «O Espiritismo nos ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, segundo a lição dos textos sagrados, e nos mostra, aliás, que é absolutamente indispensável fazermos isso, se quisermos cumprir a nossa tarefa terrena, alcançar o objectivo supremo da nossa encarnação neste planeta expiatório. E isso pelo simples motivo de que sendo Deus eterno, imutável e imaterial, devemos colocar o nosso interesse acima das coisas transitórias, mutáveis e materiais, que nos cercam e nos prendem à existência terrena. Sendo Deus único e omnipotente, nele devemos confiar e esperar, e não em outros seres e outras coisas, por mais belas e fascinantes que elas nos sejam apresentadas.
«Mas o que é mais importante para todos nós, pequenos bichos da terra, tão pequenos, como dizia Camões, é que, sendo Deus soberano, justo e bom, é evidentemente a suprema justiça e a suprema bondade, pelo que devemos amar a justiça e a bondade acima de toda injustiça e de toda maldade. Amando a Deus sobre todas as coisas, através daquilo que de Deus podemos conhecer, que são os seus atributos, seremos capazes de realmente colocar Deus acima de tudo e de todos […]
«Pois o homem que ama a Deus, em espírito e verdade, sobre todas as coisas, está sempre com a verdade, a justiça, o amor, a bondade, a pureza, contra mesmo os seus próprios interesses da vida material. «Coloca o seu amor a Deus acima das vantagens que pode auferir na vida, sempre que prefere a verdade à mentira, por mais fascinantes que sejam as promessas desta»

- «Na vida comum […] quase todos, somos espíritos confinados, somos doentes, apegados à rotina de uma vida sem sentido, lutando contra as águas do rio da vida, que nos querem levar para a libertação. Se quisermos continuar nessa atitude, só poderemos aumentar os nossos sofrimentos e as nossas dores. A lição do Cristo se torna, pois, muito clara, diante dos ensinamentos espíritas. A vida não é fixa, não é sólida, não é estável. É fluente e mutável. Se quisermos salvar a nossa vida, fixando-nos em nossos hábitos e em nossas ideias, perdê-la-emos, porque o fluxo constante das coisas nos libertará de súbito, nos atirará para frente, com ímpeto irresistível. Se, pelo contrário, concordamos em sacrificar a nossa vida por amor do Cristo, ou seja, trocar o nosso apego às pequeninas coisas da existência passageira pela compreensão das verdades eternas, por ele ensinadas, salvá-la-emos.
«Compreendamos, pois, antes de tudo, a nossa verdadeira posição diante da vida, e procuremos nos adaptar a ela […] O próprio Espiritismo não é um sistema rígido. A sua natureza é dinâmica, progressiva»

- «Desapegarmo-nos das coisas não quer dizer desprezá-las. O grande espiritualista hindu, Râmakrishna, dizia aos seus discípulos que eles deviam viver como uma ama-de-leite […]
«A princípio, é natural, encontraremos grandes dificuldades. Mas pouco a pouco aprenderemos a olhar a vida e o mundo de um ponto de vista espírita. E então os acontecimentos que habitualmente nos surpreendiam, nos transtornavam e nos causavam dor e angústia, passarão a nos afectar levemente, como simples arrepios do vento na superfície de um lago. Encontraremos a paz da compreensão, a serenidade inalterável da exacta visão das coisas, em que dia a dia mais penetraremos»

DESEJAMOS UMA BOA LEITURA!

Carmen, 2010.Set15.AELA-Destaques

domingo, 13 de junho de 2010

A doutrinação e seus métodos

Alguns espíritas, diz Herculano Pires, pretendem suprimir a doutrinação, alegando que esta é realizada com mais eficiência pelos bons Espíritos no plano espiritual. Essa é uma prova de ignorância generalizada da Doutrina no próprio meio espírita, pois nela tudo se define em termos de relação e evolução. Os Espíritos sofredores permanecem apegados à matéria e à vida terrena, razão pela qual os Protectores Espirituais têm dificuldade de comunicar-se com eles. O seu envolvimento com os fluidos e as emanações ectoplásmicas próprias da sessão mediúnica é-lhes, portanto, necessário, o que evidencia que a reunião mediúnica e a doutrinação humana dos desencarnados são uma necessidade.
A morte não tem o poder de transformar ninguém. Cada Espírito, ao desencarnar, leva consigo as suas virtudes e defeitos, continuando na vida espiritual a ser o que era quando ligado ao corpo, com os seus vícios e condicionamentos materiais, dos quais se liberta pouco a pouco. Além disso, confundido pelas lições recebidas das religiões tradicionais, o Espírito não encontra no Além aquilo que esperava: nem céu, nem inferno, muito menos o repouso até ao juízo final. Ao contrário, ele encontra a dura realidade espiritual, fundamentada na existência da lei de causa e efeito, onde cada qual se mostra como é, sem disfarces, falsas aparências ou o verniz social.
Doutrinar Espíritos não é, porém, tarefa fácil, pois exige conhecimentos doutrinários bastante desenvolvidos e senso psicológico para que o doutrinador possa captar com rapidez a verdadeira feição moral do caso que defronta e, em consequência, encaminhar a doutrinação no devido rumo. É necessário ainda ao doutrinador possuir paciência e bondade, humildade e tolerância, porque somente com auxílio dessas virtudes poderá enfrentar os casos mais difíceis em que se manifestam Espíritos maldosos, zombeteiros ou empedernidos. A sua eficiência depende sempre da sua humildade, que lhe permite compreender a necessidade de ser auxiliado pelos bons Espíritos. O doutrinador que não compreende esse princípio precisa de doutrinação e esclarecimento, para alijar do seu espírito a vaidade e a pretensão. Reportando-se aos casos em que os Espíritos comunicantes se mostram demasiado renitentes, a ponto de perturbar os trabalhos, sugere Herculano Pires que aí o melhor a fazer é chamar o médium a si mesmo, fazendo-o desligar-se do Espírito perturbador. O episódio servirá ainda para reforçar a autoconfiança do médium, demonstrando-lhe que pode interromper por sua vontade as comunicações perturbadoras. O Espírito geralmente voltará em outras sessões, mas então já tocado pelo efeito da doutrinação e desiludido de sua pretensão de dominar o ambiente.
Hermínio Miranda afirma que, no início, os Espíritos em estado de perturbação não estão em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. Necessitam, então, de primeiros socorros, de quem os ouça com paciência e tolerância. “A doutrinação virá no momento oportuno e, antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico, ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. Diversos autores têm chamado a atenção para os hábitos, os vícios e as práticas que precisam ser erradicados das sessões mediúnicas. Edgard Armond considera absolutamente inconvenientes as atitudes seguintes: exigir o nome do Espírito comunicante; crer cegamente no que diz o Espírito; o misticismo exagerado; Há doutrinadores que entendem que acordar de súbito o Espírito comunicante para a realidade seja um benefício e, por isso, costumam informá-los, abruptamente, que já estão mortos. O resultado dessa atitude é, amiúde, a loucura que se instala nos infelizes que desconheciam a própria morte. Herculano Pires, em apoio a essa ideia, observa que, se o doutrinador disser cruamente a esses Espíritos que eles já morreram, mais assustados e confusos ficarão. Devemos, pois, tratar o Espírito comunicante como se ele estivesse doente e não desencarnado. Mudando a sua situação mental e emocional, em poucos instantes ele mesmo perceberá que já passou pelo transe da morte e que se encontra amparado por familiares e amigos que procuram ajudá-lo. Divaldo Franco concorda: dizer simplesmente que o comunicante já desencarnou, os Guias também poderiam fazê-lo. Deve-se entrar em contacto com a Entidade, participar da sua dor, consolá-la e, na oportunidade que se faça lógica e própria, esclarecer-lhe que já ocorreu o fenómeno da morte...”

Excertos dum texto de Astolfo Olegário de Oliveira Filho (1) e debatido na reunião da AELA, na 3ª feira, dia 8 de Junho de 2010
(1) Director da revista semanal electrónica “O Consolador”(*) e editor do jornal mensal “O Imortal”(*)
(*)Brasil

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