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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Oração e o poder da Oração

(Trabalho elaborado por aluno do 2º Curso sobre Doutrina Espírita - Nível 1)

Este trabalho foi efectuado principalmente por uma necessidade cada vez mais crescente que lateja cá dentro, em momentos de aflição, em momentos de alegria, na alimentação, ao deitar e ao levantar ou simplesmente numa conversa. Confesso que como aprendiz de iniciante ainda tenho necessidade de um local e de um tempo certo para me dedicar a tamanho alimento interior, que sinto se propagar para o exterior também, quando a vontade surge de puros sentimentos, muito embora a coragem de me dirigir a Deus ao final do dia, se dissipe na vergonha da analise moral de meus pensamentos e acções, limitando-me por vezes a breves palavras de agradecimento pelas oportunidades renovadas a cada dia que Deus me concede neste mundo para tentar melhorar o meu eu ainda perverso, materialista e egoísta.
Nas orações que vos escuto, tento retirar o máximo de aprendizado não em palavras mas em sentimentos, em exemplos de dedicação e de entrega, que me fazem recordar os meus compromissos.

Hoje, as minhas orações não são mais as palavras ritmadas e ocas de sentimento. Silenciosas, elas transportam o que aprendi até aqui e não peço mais ao Pai o que desejo, mas força para que tenha coragem de enfrentar de pé tudo aquilo que necessito para o meu aprendizado. Aprendi pela parca experiência mediúnica o poder que uma oração sentida tem sobre um irmão em sofrimento, aprendi a respeitar a oração pelo que ela É e pelos benefícios que me sinto trazer, pelos benefícios que tantos outros testemunharam em si e nos outros também. Aprendi que a oração é agradecimento, realização mas sobretudo transformação.

Este trabalho tem por base a recolha de vários excertos recolhidos das obras:
» A metafísica do Cristianismo de Humberto Rohden
» O Evangelho Segundo o Espiritismo
E
» Canções e Hinos Mediúnicos

O Que é Orar? – Humberto Rohden, diz-nos que “ Todas as religiões do mundo são unânimes em recomendar a oração. É este talvez o único ponto em que não há heresias. Paganismo, judaísmo, islamismo, cristianismo – todos praticam oração.
Muitas pessoas só entendem por orar pedir algo a Deus; só se lembram de orar quando estão em apuros, quando as coisas da vida vão mal; mas quando tudo vai bem, não acham necessário orar. (…)
Mas para os homens de experiencia profunda, orar não é primariamente pedir algo – é realizar alguém, é auto-realização (…) eles compreendem a ordem do Mestre “ orai sempre, e nunca deixeis de orar “, como se alguém lhes dissesse: respirai sempre, e nunca deixeis de respirar, porque sem respiração não podeis viver.
“ Orar “ é derivado da palavra latina os ( genitivo: oris ) que quer dizer boca. Orar é abrir a boca.
A alma que ora crea uma abertura rumo ao infinito, porque está com fome e espera receber alimento de Deus. Rezar, isto é, recitar consiste em actos intermitentes – ao passo que orar é uma atitude permanente da consciência. E, por ser atitude vital, é compatível com qualquer ocupação exterior.“
A vida de Jesus é essencialmente uma vida de oração permanente. A primeira palavra que o Evangelho refere de Jesus, aos doze anos, revela atitude de oração: “ Não sabíeis que eu devo estar nas coisas que são de meu Pai? “ Essas “ coisas do Pai “ se referem aos três dias que o menino passou em silêncio e oração.
Uma das últimas palavras de Jesus agonizante é uma oração: “ Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito “.
Antes de iniciar a sua vida pública, retira-se Jesus ao deserto e passa quarenta dias em oração.
Durante os três anos da sua vida pública, referem os evangelhos a cada passo: “ Ao por do sol retirou-se Jesus a um monte e passou toda a noite em oração com Deus “.
A sua transfiguração no Tabor, ocorre durante a oração.
A sua agonia, no Getsemani, é acompanhada de oração, e ele pede a seus discípulos que orem.
Na santa ceia, o Mestre ora.
Orar era para ele, um estado permanente de consciência cósmica, uma vivencia na realidade do Cristo, obliterando quase totalmente a consciência telúrica do seu Jesus humano.
No Capitulo vinte e oito do Livro dos Espíritos, Kardec diz-nos que Jesus definiu claramente as qualidades da prece quando recomendou que ao orar não nos puséssemos em evidência; que orássemos em segredo, sem afectação e sem muitas palavras, porque não será pela extensão da prece que seremos ouvidos, mas pela sinceridade com que for feita.
A prece é recomendada por todos os espíritos, renunciar à prece é desconhecer a bondade de Deus; é abrir mão da sua assistência em benefício próprio, bem como no de seus semelhantes. O homem que não se sente suficientemente bom para exercitar uma influência salutar, nem por isso deve abster-se de rogar pelos outros, com a ideia de que não é digno de ser ouvido. A consciência de sua inferioridade é prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em consideração a caridosa intenção que o anima. A prece não ouvida é a do orgulhoso, que acredita em seu poder e em seus méritos, e que supõe poder sobrepor-se à vontade de Deus.
Os espíritos têm dito sempre: “ O pensamento é tudo; a forma de nada vale “. Orai pois conforme as vossas convicções e do modo que mais vos emocione;
A principal condição da prece é ser clara, simples e concisa, sem frases inúteis nem luxo de adornos; cada vocábulo deve ter sua função, despertar uma ideia, tocar uma fibra, numa palavra, deve fazer-nos raciocinar.
H.Castro Lopo, no livro canções e Hinos mediúnicos nos diz que “ Os cânticos espirituais…são uma bela forma de orar! Porem para isso não basta que saibamos a música e a letra; o mais importante é que, ao cantar-mos, nos concentremos no significado das palavras que pronunciamos, deixando que, com elas, fomentemos vibrações de amor em nossos corações. Sem isso, será tudo menos rezar, pois só desta forma, rezaremos cantando.
Sempre que cantamos o hino de qualquer destas Associações, formamos uma poderosa egrégora, estando a emitir fluidos de fraternidade, na direcção dessa mesma associação, beneficiando não só os seus componentes, mas também a união entre todos, contagiando os seus agregados e através destes, uma parcela sempre crescente de toda a humanidade.”

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Autoconhecimento

...e sua importância na Doutrinação

(Trabalho elaborado por aluno do 2º Curso sobre Doutrina Espírita - Nível 1)

Desde a antiguidade até aos nossos dias que muitos companheiros de reconhecido valor espiritual nos apontam o autoconhecimento como meio primordial de crescimento e progresso individual. Neste trabalho pretendo resumir um pouco do muito que já foi dito sobre o autoconhecimento e a sua relevância no diálogo mantido na doutrinação das almas em sofrimento.

No Livro dos Espiritos na questão 919, Allann Kardec fez a seguinte pergunta :

"Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atracção do mal?"

A resposta que obteve, mostrou claramente que longe de ser original, já anteriormente havia sido transmitida ao homem :

"Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”; e a forma de consegui-lo é nos sugerida por Santo Agostinho ainda respondendo a Kardec :

“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma." (Santo Agostinho, LE Q.919)

Também Emmanuel nos fala da necessidade do auto-conhecimento. No livro Renúncia, apresenta-nos Padre Damiano, uma de suas encarnações passadas, e este fala-nos da importância de cultivar o hábito de rever no fim do dia as nossas atitudes de forma a melhor identificar as nossas falhas e fraquezas. Quando questionado por uma sua amiga que se encontrava em descrença, sobre como adquirir fé e paz intima, Padre Damiano respondeu-lhe assim :

"Não poderemos criar os valores da fé, enquanto nos sobeje a inquietação, e acredito que nossas relações com a Divindade devem ser as mais simples possíveis. Quanto a mim," - disse Padre Damiano, "considero que cada dia é uma oportunidade renovada para o labor de nossa redenção. Resumo as minhas preces à vigília da manhã, na qual procuro a inspiração do Evangelho ou dos livros que nos suscitam desejos de perfeita união com o Cristo, e ao louvor da noite, quando busco examinar os ensejos de serviço ou testemunhos que o Senhor me facultou".

Ao perceber que não fora plenamente compreendido reformulou a sua resposta :
"Toda a leitura edificante derivou da Providência por intermédio dos seus mensageiros, em nosso socorro; com as suas advertências e conceitos, sábios e preciosos, faço a vigília matinal e à noite rendo graças ao Pai, em consciência, pelos favores que me foram dispensados. Na vigília, estabeleço propósitos redentores; e no exame da noite julgo-me a mim mesmo, para verificar onde se cristalizaram minhas maiores fraquezas, a fim de emendá-las no dia imediato. O mundo, a meus olhos, é uma vasta oficina, onde poderemos consertar muita coisa, mas reconhecendo que os primeiros reparos são intrínsecos a nós mesmos". (Renúncia, Cap. 6 – Novos rumos)

Também noutra linha espiritual, mais concretamente os Rosacruzes, o autoconhecimento é considerado a chave para a “paz do indivíduo” e ponto de partida para o bem-estar da humanidade. Defendem que através do autoconhecimento poderemos evitar o purgatório, local onde, segundo os mesmos, se faz a purificação da alma.

No livro "Conceito Rosacruz do Cosmo" no capitulo III com o titulo "O Homem e o Método da Evolução" consta o seguinte :

"Há um benefício inestimável em conhecer o método e o objectivo da purificação, pois assim poderemos nos antecipar e começar a viver nosso purgatório aqui e agora, dia a dia, avançando muito mais depressa dessa maneira […] Consiste em recordarmos os acontecimentos do dia ao nos recolhermos à noite. Contempla-se então os acontecimentos do dia em ordem inversa, fixando-os especialmente em seu aspecto moral, e considerando onde e quando se agiu com rectidão ou erroneamente em cada caso particular por pensamentos, actos e hábitos. Julgando-nos assim dia após dia, esforçando-nos por corrigir erros e más acções, podemos praticamente diminuir, talvez até suprimir, a necessidade do purgatório, capacitando-nos passar directamente ao primeiro céu depois da morte. Se dessa maneira sobrepomo-nos conscientemente às nossas debilidades, estamos também conseguindo um avanço material na escola da evolução. Ainda que fracassemos em corrigir nossas acções, fica-nos um enorme benefício em nos julgarmos. Esse auto-julgamento gera aspirações para o bem, que no devido tempo frutificar-se-ão seguramente em acções rectas." (Conceito Rosacruz do Cosmos, Capitulo III - O Homem e o Método da Evolução)

Retiro deste texto que podemos optar por exercitar o autoconhecimento de uma forma consciente e gradual, diariamente, ou então, aguardar pelo desencarne para vislumbrarmos todos os acontecimentos, da vida que agora abandonamos, desfilarem ante a nossa visão, como um panorama, onde tudo é revisto. Se cultivarmos o hábito de reflectirmos sobre nós próprios, para além do crescimento espiritual, poderemos atenuar o impacto que esse panorama terá sobre nós.

O autoconhecimento é essencial no processo de doutrinação. No livro "Diálogo com as sombras", Hermínio Miranda, fala-nos da necessidade de nos conhecermos a nós próprios e salienta que durante uma doutrinação podemos falar em perdão, esquecimento de falhas como ciúme e egoísmo, mas se não conhecermos em nós esses sentimentos as nossas palavras não transmitirão a força necessária a quem dela necessita. O exercício do autoconhecimento permite identificar em nós tais sentimentos e revela-nos verdades sobre nós próprios que ignoramos.

Se não conhecermos sem subterfúgios, sentimentos como ódio, egoísmo e paixão de toda a espécie entendendo-os com nossa mente e coração, como compreender e ajudar quem se encontra totalmente envolvido e absorvido em tais emoções? Palavras como perdoar têm de estar sustentadas pelo conhecimento de quem as conhece e pratica. Apenas assim a palavra transportará o seu verdadeiro poder.

No texo seguinte retirado do livro "Diálogo com as sombras", Hermínio Miranda, mostra-nos a sua visão da importância de nos conhecermos a nós mesmos, e diz assim :

"Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria consciência. É verdade, estamos envergonhados, temerosos e angustiados, mas por que demorar-nos no arrependimento, cruzarmos os braços e esconder-nos, como um caramujo, dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. Incontáveis multidões, no entanto, tentam fugir de si mesmas, ignorando seus próprios fantasmas interiores. A culpa existe em nós; impossível negá-lo, pois o erro já está cometido mesmo. O que temos de fazer, agora, não é fingir que ela não existe, porque é justamente esse fingimento, essa fuga, que nos mantém presos, detidos, marcando passo, vendo a multidão passar por nós, em busca da paz.
Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar espíritos endividados. É claro que também somos endividados, talvez tanto quanto eles, ou até mais. Precisamos, no entanto, mostrar-lhes que estamos fazendo alguma coisa, lutando, enfrentando os nossos espectros interiores, as censuras da consciência, as cutiladas do remorso, conscientes de que o nosso erro está presente em nós, e não podemos voltar sobre nossos passos, para desfazê-lo. Podemos, no entanto, e devemos, e temos que reconhecer, a força da sua presença em nós. Sem essa abertura corajosa, não dá sequer para começar. E, como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilómetros começa com o primeiro passo".

E acrescenta ainda, relativamente à postura humilde, que temos de adoptar :

"Você [o doutrinador] não está ali para provar que é mais inteligente do que ele, nem mais culto, ou eticamente melhor do que ele: está ali para ajudá-lo, compreendê-lo e servi-lo. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido, e ele um réprobo enredado nos seus crimes. As leis morais, o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem, de mil formas, a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego, o cego ao mudo e, sobre todos nós, a infinita misericórdia de Deus, a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados, que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. "

Opinião e Experiência Pessoal

domingo, 4 de julho de 2010

A doutrinação e seus métodos – parte 2

Diz-nos Edgard Armond que as sessões de doutrinação de Espíritos objectivam esclarecer entidades desencarnadas a respeito de sua própria situação espiritual, orientando-as no sentido do seu despertar no plano invisível e o seu subsequente equilíbrio e progresso espirituais. Para facilitar o seu despertar ou o seu esclarecimento, Espíritos jungidos ao habitat terrestre por força da lei de afinidade são trazidos às sessões de doutrinação e aí ligados momentaneamente a médiuns de incorporação, com o que, no contacto com os fluidos benéficos da corrente aí formada, acrescidos dos ensinamentos recebidos do doutrinador encarnado, logram quase sempre despertar e retomar o caminho do aperfeiçoamento espiritual.
Doutrinar Espíritos não é, porém, tarefa fácil. Segundo observa André Luiz, a pessoa envolvida nessa tarefa não pode esquecer que a Espiritualidade Superior confia nela e dela aguarda o cultivo de determinados atributos como os que se seguem: a) direcção e discernimento; b) bondade e energia; c) autoridade fundamentada no exemplo; d) hábito de estudo e oração; e) dignidade e respeito para com todos; f) afeição sem privilégios; g) brandura e firmeza; h) sinceridade e entendimento; i) conversação construtiva.
A doutrinação, informa Herculano Pires, existe em todos os planos, mas o trabalho mais rude e pesado é o que se processa em nosso mundo. Orgulhoso e inútil, e até mesmo prejudicial, será o doutrinador que se julgar capaz de doutrinar por si mesmo. Só pode realmente doutrinar Espíritos quem tiver amor e humildade. Dito isto, Herculano Pires observa que, muitas vezes, a doutrinação exige atitudes enérgicas, não ofensivas nem agressivas, mas firmes e imperiosas. É o momento em que o doutrinador trata o obsessor com autoridade moral, a única autoridade que podemos ter sobre os Espíritos inferiores, que sentem a nossa autoridade e a ela se submetem em virtude da força moral de que dispusermos. Essa autoridade, no entanto, só conseguimos adquirir por meio de uma vivência digna no mundo, sendo sempre correctos em nossas intenções e em nossos actos, em todos os sentidos, porquanto as nossas falhas morais não combatidas, não controladas, diminuem a nossa autoridade sobre os obsessores.
Como a doutrinação não objectiva somente Espíritos sofredores, mas igualmente Espíritos ignorantes que ainda permanecem em esferas de embrutecimento, e Espíritos maldosos que se devotam ao mal conscientemente, bem variado deve ser o modo de doutrinar uns e outros.
Há, entretanto, determinadas regras que não podem deixar de ser aplicadas nessa tarefa:
a) receber com atenção e interesse as comunicações; c) envolver o comunicante num clima de vibrações fraternais, dando oportunidade para que ele fale; d) estabelecer em tempo oportuno um diálogo amigo e esclarecedor; e) evitar acusações e desafios desnecessários; f) confortar e amparar através do esclarecimento; g) não discutir com exaltação tentando impor seu ponto de vista; h) não receber a todos como se fossem embusteiros e agentes do mal; i) ser preciso e enérgico na hora necessária, sem ser cruel e agressivo; j) evitar o tom de discurso e também as longas prelecções l) ser claro, objectivo, honesto, amigo, fraterno, buscando dar ao comunicante aquilo que gostaria de receber se no lugar dele estivesse.
André Luiz recomenda, a dirigentes e esclarecedores e a todos os que participam das reuniões mediúnicas, que tenham sempre em mente os 13 seguintes princípios:
2. Esclarecimento aos desencarnados sofredores assemelha-se à psicoterapia e a reunião é tratamento em grupo, na qual, sempre que possível, deverão ser aplicados os métodos evangélicos. 3. A parte essencial ao entendimento é atingir o centro de interesse do Espírito preso a ideias fixas, para que se lhes descongestione o campo mental… 5. Cada Espírito sofredor deve ser recebido como se fosse um familiar nosso extremamente querido; agindo assim, acertaremos com a porta íntima através da qual lhe falaremos ao coração. 8. É preciso anular qualquer intento de discussão ou desafio com os Espíritos comunicantes, dando mesmo razão, algumas vezes, aos manifestantes infelizes e obsessores. 9. Nem sempre a desobsessão real consiste em desfazer o processo obsessivo de imediato, porquanto em diversos casos a separação de obsidiado e obsessor deve ser praticada lentamente 11. Não se deve constranger os médiuns psicofónicos a receberem os desencarnados presentes, atentos ao preceito da espontaneidade, factor essencial ao êxito do intercâmbio. 13. Se o manifestante perturbado se fixar no braseiro da revolta ou na sombra da queixa, indiferente ou recalcitrante, o esclarecedor deve solicitar a cooperação dos benfeitores espirituais presentes para que o necessitado rebelde seja confiado à assistência espiritual especializada.

Excertos dum texto de Astolfo Olegário de Oliveira Filho (1) e debatido na reunião da AELA, na 3ª feira, dia 22 de Junho de 2010
(1) Director da revista semanal electrónica “O Consolador”(*) e editor do jornal mensal “O Imortal”(*)
(*)Brasil

domingo, 13 de junho de 2010

A doutrinação e seus métodos

Alguns espíritas, diz Herculano Pires, pretendem suprimir a doutrinação, alegando que esta é realizada com mais eficiência pelos bons Espíritos no plano espiritual. Essa é uma prova de ignorância generalizada da Doutrina no próprio meio espírita, pois nela tudo se define em termos de relação e evolução. Os Espíritos sofredores permanecem apegados à matéria e à vida terrena, razão pela qual os Protectores Espirituais têm dificuldade de comunicar-se com eles. O seu envolvimento com os fluidos e as emanações ectoplásmicas próprias da sessão mediúnica é-lhes, portanto, necessário, o que evidencia que a reunião mediúnica e a doutrinação humana dos desencarnados são uma necessidade.
A morte não tem o poder de transformar ninguém. Cada Espírito, ao desencarnar, leva consigo as suas virtudes e defeitos, continuando na vida espiritual a ser o que era quando ligado ao corpo, com os seus vícios e condicionamentos materiais, dos quais se liberta pouco a pouco. Além disso, confundido pelas lições recebidas das religiões tradicionais, o Espírito não encontra no Além aquilo que esperava: nem céu, nem inferno, muito menos o repouso até ao juízo final. Ao contrário, ele encontra a dura realidade espiritual, fundamentada na existência da lei de causa e efeito, onde cada qual se mostra como é, sem disfarces, falsas aparências ou o verniz social.
Doutrinar Espíritos não é, porém, tarefa fácil, pois exige conhecimentos doutrinários bastante desenvolvidos e senso psicológico para que o doutrinador possa captar com rapidez a verdadeira feição moral do caso que defronta e, em consequência, encaminhar a doutrinação no devido rumo. É necessário ainda ao doutrinador possuir paciência e bondade, humildade e tolerância, porque somente com auxílio dessas virtudes poderá enfrentar os casos mais difíceis em que se manifestam Espíritos maldosos, zombeteiros ou empedernidos. A sua eficiência depende sempre da sua humildade, que lhe permite compreender a necessidade de ser auxiliado pelos bons Espíritos. O doutrinador que não compreende esse princípio precisa de doutrinação e esclarecimento, para alijar do seu espírito a vaidade e a pretensão. Reportando-se aos casos em que os Espíritos comunicantes se mostram demasiado renitentes, a ponto de perturbar os trabalhos, sugere Herculano Pires que aí o melhor a fazer é chamar o médium a si mesmo, fazendo-o desligar-se do Espírito perturbador. O episódio servirá ainda para reforçar a autoconfiança do médium, demonstrando-lhe que pode interromper por sua vontade as comunicações perturbadoras. O Espírito geralmente voltará em outras sessões, mas então já tocado pelo efeito da doutrinação e desiludido de sua pretensão de dominar o ambiente.
Hermínio Miranda afirma que, no início, os Espíritos em estado de perturbação não estão em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. Necessitam, então, de primeiros socorros, de quem os ouça com paciência e tolerância. “A doutrinação virá no momento oportuno e, antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico, ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. Diversos autores têm chamado a atenção para os hábitos, os vícios e as práticas que precisam ser erradicados das sessões mediúnicas. Edgard Armond considera absolutamente inconvenientes as atitudes seguintes: exigir o nome do Espírito comunicante; crer cegamente no que diz o Espírito; o misticismo exagerado; Há doutrinadores que entendem que acordar de súbito o Espírito comunicante para a realidade seja um benefício e, por isso, costumam informá-los, abruptamente, que já estão mortos. O resultado dessa atitude é, amiúde, a loucura que se instala nos infelizes que desconheciam a própria morte. Herculano Pires, em apoio a essa ideia, observa que, se o doutrinador disser cruamente a esses Espíritos que eles já morreram, mais assustados e confusos ficarão. Devemos, pois, tratar o Espírito comunicante como se ele estivesse doente e não desencarnado. Mudando a sua situação mental e emocional, em poucos instantes ele mesmo perceberá que já passou pelo transe da morte e que se encontra amparado por familiares e amigos que procuram ajudá-lo. Divaldo Franco concorda: dizer simplesmente que o comunicante já desencarnou, os Guias também poderiam fazê-lo. Deve-se entrar em contacto com a Entidade, participar da sua dor, consolá-la e, na oportunidade que se faça lógica e própria, esclarecer-lhe que já ocorreu o fenómeno da morte...”

Excertos dum texto de Astolfo Olegário de Oliveira Filho (1) e debatido na reunião da AELA, na 3ª feira, dia 8 de Junho de 2010
(1) Director da revista semanal electrónica “O Consolador”(*) e editor do jornal mensal “O Imortal”(*)
(*)Brasil

sábado, 22 de agosto de 2009

ESPIRITISMO: OBJECTIVO PRINCIPAL E DOUTRINAÇÃO

Em tempo de férias, proponho um tema de reflexão que pode, eventualmente, ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre esta matéria. E se, ao invés, o texto suscitar novas perguntas, é sinal que cumpriu também a sua função como elemento do interesse em querer saber mais.

Filipe

Espiritismo: objectivo principal e doutrinação

«O objectivo principal do Espiritismo não é assistência material que se presta caridosamente aos necessitados; não é a cura de moléstias sempre úteis à purificação de corpo e espírito; nem tampouco a fenomenologia ostentada pelas sessões de efeitos físicos, nem a maioria dos actos e práticas realizados diariamente nas associações espíritas mas, sobretudo, a espiritualização, repetimos, a evangelização. Por isso é que Allan Kardec asseverou, de forma incisiva e inspirada "que se conhece o verdadeiro espírita pela transformação moral pela qual ele passa"; o homem velho, do passado, cheio de vícios, defeitos, paixões e impulsos animalizados, transmutando-se no homem novo, moralmente renovado, voltado agora para a vida virtuosa, preocupado com a conduta e as realizações próprias desse campo. Assim, pois, resumindo e repetindo, diremos que a finalidade principal do Espiritismo é a evangelização e o esclarecimento das almas, e que todas as demais modalidades ou aspectos do problema são secundários ou decorrentes. O processo mais viável e seguro de se atingir esse alto objectivo é, ainda e sempre, aquele que o Evangelho aponta: a renovação dos sentimentos para se obter, como consequência, a purificação de pensamentos e actos; em seguida, a conquista de virtudes morais que faltam a todos os seres humanos nos graus inferiores da evolução; e, por último, a busca do Reino de Deus, pelo uso e pela prática dessas virtudes no campo da vida social. Como não pode haver pureza espiritual em corpo poluído, é necessário, antes de mais nada, combater os vícios mais comuns, como sejam, o fumo, o alcoolismo, o jogo, a gula (aliás, para os passes individuais convém observar que só deve dar passes o médium que não for viciado em álcool e/ou fumo porque, nesses casos, transferirá para os doentes os venenos armazenados no seu próprio organismo); depois, as paixões mais generalizadas como a sensualidade, a avareza, a brutalidade, etc., como ainda os defeitos morais: orgulho, egoísmo, hipocrisia, maledicência, etc., travando contra eles luta tenaz e porfiada.
Relativamente ao trabalho prático numa sessão espírita: muitos espíritos desencarnados demoram longo tempo na inconsciência ou na readaptação. Para facilitar o seu despertar ou o seu esclarecimento, esses Espíritos são trazidos às sessões de doutrinação, e aí ligados, momentaneamente, a médiuns de incorporação para ajudar ao despertar e ao retomar o caminho do aperfeiçoamento espiritual. Doutrinar Espíritos não é tarefa fácil e exige conhecimentos doutrinários bastante desenvolvidos; por outro lado, é necessário possuir o doutrinador senso psicológico para poder captar com rapidez a verdadeira feição moral do caso que defronta e, em consequência, encaminhar a doutrinação no devido rumo; como também é necessário possuir paciência e bondade, humildade e tolerância, porque somente com auxílio destas virtudes, pode ele enfrentar os casos difíceis da doutrinação de Espíritos maldosos, zombeteiros e intelectuais empedernidos. A consulta a livros doutrinários não basta, porque eles não podem entrar em certos pormenores que pertencem ao trabalho prático, à experiência pessoal amadurecida com o tempo e com embate das diferentes modalidades que o problema apresenta. A doutrinação tem inúmeros aspectos e visa não somente Espíritos denominados sofredores, mas também Espíritos ignorantes que permanecem em esferas de embrutecimento; Espíritos maldosos que se devotam ao mal conscientemente; Espíritos intelectualmente desenvolvidos, mas que ainda não penetraram no caminho da redenção espiritual. Por outro lado, é preciso considerar que a doutrinação não pode ser imposta a poder de argumentos; é, preferentemente, uma colaboração de carácter evangélico em bem do próximo; os pontos de vista e os desejos dos Espíritos, salvo nos casos de inconsciência, devem ser respeitados porque o livre-arbítrio é sagrado. Assim, o Espírito que, sendo consciente e livre, recusa ou despreza a doutrinação, não deve ser forçado a ouvi-la ou ameaçado de represálias. Ao contrário, deve ser convidado a voltar noutra ocasião e, em seguida, despedido cordialmente não se perdendo mais tempo com ele ou estabelecendo discussões intermináveis e irritantes, que sempre acabam por diminuir a autoridade moral do doutrinador.
Este deve jogar a sua semente e esperar que ela germine no coração do visitante empedernido.»


Texto retirado de “Prática Mediúnica” de Edgard Armond (analisado na reunião da AELA do dia 3/02/2009)

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