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terça-feira, 22 de março de 2011

CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA - 2011


2011 - CURSO SOBRE DOUTRINA ESPÍRITA

nível 2 - estudos de pesquisa + nível 3 - workshop
Destinatários: formandos com certificação do nível 1
Número de inscrições: mínimo 5
Datas de: início Abril.20 – encerramento Julho.27
Total: 30 hs

Programa:
Doutrina Espírita comparada com outras doutrinas filosóficas e morais, com religiões e com investigações científicas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

EXPRESSÃO FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO

Por Deolindo Amorim*

O lastro experimental, com a apresentação de fatos comprobatórios, ainda é uma necessidade, pois estamos muito longe, por enquanto, daquele estágio evolutivo em que a mediunidade ficará no puro domínio da intuição , como diz a própria Doutrina. Será uma expressão muito elevada em função, porém do tempo e do melhoramento espiritual do ser humano. Claro que a prática mediúnica, como geralmente falamos, precisa de condições básicas: honestidade pessoal, perseverança, lucidez e prudência do verdadeiro espírito científico. A mediunidade exercitada a esmo, embora bem intencionada, como acontece muitas vezes, tem os seus riscos.

Então, sem perder de vista o valor do estudo filosófico, a que Kardec atribui influência decisiva, é lógico entender que o aspecto mediúnico sempre teve e tem o seu momento de necessidade e relevância, seja pelo consolo das mensagens, seja pelos elementos de estudo e reflexões que oferece. Mas o Espiritismo não se contém todo ele no campo mediúnico, conquanto este lhe tenha servido de ponto de partida, como se sabe. O fenômeno por si só não nos levaria a conseqüências profundas, ou seria apenas objeto de observação ou motivo de deslumbramento, sem a formulação filosófica. Justamente por isso - repetimos kardec - "a força do Espiritismo está em sua filosofia". E por que não está no fato mediúnico? Porque o fato prova e convence objetivamente, não há dúvida, porém não elucida os problemas mais graves de nossa vida, por si mesmo, se não tomar a direção filosófica que conduz à inquirição das causas, dos porquês e das conseqüências.

A comunicação dos espíritos demonstra praticamente a sobrevivência da alma "após a morte". É o elemento básico. Mas é preciso partir daí para as indagações que compreendem esencialmente o destino humano e as conseqüências morais do Espiritismo. A esta altura já é esfera da filosofia e a força do Espiritismo - não faz mal insistir neste ponto - está exatamente nesse corpo de princípios em cuja homogeneidade e coerência e encontramos respostas às mais complexas e momentosas questões de nossa vida: a existência de Deus, a justiça divina e as desigualdades morais, intelectuais e sociais, livre arbítrio e determinismo, a reparação do mal pelas provas, o reajuste de compromissos do passado através das experiências reencamatórias. São temas de reflexão filosófica. Entretanto, a Doutrina estaria incompleta e não decorressem daí as conseqüências morais com que nos defrontamos a cada passo.

Quem, por exemplo, gosta apenas de ver sessões mediúnicas, porque acha interessante ouvir os conselhos dos espíritos ou conversar com os médiuns, mas não vai além desse hábito, que se transforma em rotina com o decorrer do tempo, naturalmente não tem uma visão global do ensino Espírita. Conhece o Espiritismo apenas pela parte fenomênica, que é muito rica de lições e sempre temo que oferecer para estudo e meditação, porém não abre horizonte mais amplo a respeito das leis e causas, a que o fenômeno está sujeito. Há pessoas, por exemplo, que se interessam muito pelo lado experimental do Espiritismo e fazem realmente estudos sérios, mas encaram o fenômeno do intercâmbio entre dois mundos com a mesma neutralidade ou frieza com que os especialistas lidam com os fenômenos da Física ou da Eletrônica, e assim, por diante. A preocupação é exclusivamente com o fenômeno puro e simples. E daí?... Que resulta de tudo isso? Sim, o fenômeno da comunicação entre vivos e mortos é neutro até certo ponto, uma vez que sempre ocorreu no mundo, muito antes das civilizações e, portanto, do Espiritismo. E pode ser observado e registrado em ambientes não espíritas como também pode ser discutido à luz de critérios diversos, nas áreas da Parapsicologia, Psiquiatria, Antropologia, etc., sem nenhuma cogitação quanto às causas e conseqüências. Se o psiquiatra se volta para a procura da anomalidade, já o antropólogo vê o fenômeno dentro de um contexto cultural sem implicações de ordem transcendental, como se costuma dizer.

Quando, porém, o fenômeno está situado no contexto espírita, já não é tão neutro, porque assume um valor moral muito especial e, por isso mesmo, não pode ser considerado indiferentemente, como se estivesse em laboratório de Física ou Química. O fato de o espírito entrar em comunicação com o nosso mundo pela via mediúnica já pressupõe muita responsabilidade para o médium e também para quantos tenham de lidar com esse tipo de trabalho. Há necessidade, portanto, de um preparo moral indispensável. Já se vê que a situação, agora, é bem diferente. E porque, finalmente, o Espiritismo engloba o fato mediúnico numa contextura filosófica de conseqüências tão acentuadas? Exatamente porque a verificação de que os mortos continuam vivos e vêm até nós, identificando-se, interferindo-se, interferindo em nossos atos, "chorando as suas mágoas" ou trazendo alegria e esperança, confirma a tese capital de que a vida continua no tempo e no espaço. Partimos daí, desse princípio essencial, para a especulação filosófica das origens e do chamado sobrenatural. O próprio impulso da sede de saber nos leva a propor questões dessa natureza: que significa esse intercâmbio em nossa vida? Qual o ponto inicial, a causa primária dessa força ou inteligência aparentemente misteriosa? Que benefício poderá esse tipo de conhecimento trazer para a humanidade? Começamos a sentir o conteúdo ético e filosófico do Espiritismo desde o momento em que lhe avaliamos a profundidade e a integridade como Doutrina capaz de corresponder às nossas preocupações com o desconhecido e o nosso destino.

Mas a especulação filosófica, embora necessária e valiosa, ainda não é suficiente para atender satisfatoriamente às necessidades do ser humano quando desperta para os problemas espirituais; torna-se necessário, senão indispensável, além deste passo no conhecimento, procurar as conseqüências dos princípios espíritas na vivência individual e coletiva. E aí, principalmente, que se sente força do Espiritismo em sua filosofia.

Harmonia - Revista Espírita nº 64 - Fevereiro/2000 
* último texto produzido em vida



Fonte: http://oblogdosespiritas.blogspot.com/

sábado, 2 de janeiro de 2010

SEJAMOS TAMBÉM FILÓSOFOS


No passado dia 19 de Novembro do ano transacto, celebrou-se o Dia Internacional da Filosofia, instituído em 2002, pela UNESCO. Foi um dia que passou completamente despercebido no nosso País.

De imediato nos veio à ideia a afirmação de Allan Kardec, feita no preâmbulo do seu livro “O que é o Espiritismo”; “O Espiritismo é simultaneamente uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que podemos estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.”

Como filosofia, a Doutrina Espírita assenta, fundamentalmente, no tratado contido no Livro dos Espíritos, o qual foi trazido à Humanidade pelos espíritos superiores e ditado a Kardec, o qual com a sua inteligência e capacidades notáveis deu início à Codificação Espírita.

Poderão alguns - naturalmente não espíritas - afirmar que o Espiritismo não é uma Filosofia, pois não adopta uma linguagem técnica. O Prof. Herculano Pires, em dado momento da sua vida, foi bastante confrontado com essas observações, feitas por alguns formalistas. Não deixando de tomar posição quanto a essa argumentação, fê-lo da seguinte forma: “Seria o caso de perguntarmos se filosofia é uma técnica de linguagem ou um processo de indagação da verdade através do pensamento.”

Em cada um de nós, dos mais cultos aos menos cultos, existe um filósofo em potência, um ser cósmico, talhado para pensar, para descobrir a beleza da vida, tanto material como espiritual, procurar transcender-se até ao Criador. Afinal, filosofar, como disse o Prof. Herculano Pires, é “descobrir no fundo de si, como no fundo do poço, a pureza da verdade nua.”

A definição de Filosofia, feita por Pitágoras, como sendo “O amor da sabedoria”, é concomitantemente simples e profunda. Para atingirmos essa sabedoria, a que se refere o filósofo grego, importa ser um pensador livre, liberto de preconceitos e de dogmas, tão castradores da nossa consciência. E uma das virtudes da Doutrina Espírita é o apelo que esta faz à fé raciocinada. Atente-se nas palavras de Kardec, no O Livro dos Espíritos. Conclusão, item 6: “Faria uma ideia bem falsa do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais [...]. A sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão, ao bom-senso. [...] Fala uma linguagem clara, sem ambiguidades. Nele nada há de místico, nada de alegorias susceptíveis de falsas interpretações: quer ser compreendido por todos, porque chegaram os tempos de fazer os homens conhecerem a verdade [...]. Não exige uma crença cega, quer que se saiba por que crê. Apoiando-se na razão, ele será sempre mais forte do aqueles que se apoiam no nada.”

Kardec foi, sem dúvida, um pedagogo do seu tempo, mas afirmou-se, essencialmente, como o primeiro pensador espírita, o primeiro filósofo espírita, na verdadeira acepção do termo. Deixou-nos um legado notável, um conjunto de estudos, de pensamentos e de reflexões, feitos com invulgar inteligência, inscritos por toda a sua obra, cuja profundidade importa estudar, compreender e divulgar. É necessário, por isso, ler e reler Kardec, não bastando uma mera leitura superficial ou de ocasião. Impõe-se um estudo aprofundado e sistematizado.

A Doutrina Espírita, para quem escolheu a vida espiritual, é um princípio, um meio, mas nunca será o fim. E se procuramos a VERDADE - que está em DEUS -, a Doutrina Espírita é um caminho, de entre vários, pois como disse o filósofo maior JESUS, conhecereis a VERDADE, e a verdade vos libertará. Saibamos, pois, trilhar esse caminho com convicção, firmeza e segurança, pois, inevitavelmente, outros caminhos nos serão oferecidos.

E como ponto final nesta nossa reflexão citamos o filósofo universalista Huberto Rohden, no seu livro de Alma para Alma; “O homem Cósmico está com os pés solidamente firmados na Terra e com a cabeça gloriosamente banhada pela luz eterna do céu e, quando contempla o céu, não perde de vista a Terra.”


João Batista

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