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quarta-feira, 16 de março de 2011

Em Destaque - O Desconhecido e os Problemas Psíquicos por Camille Flammarion


Este livro está dividido em 9 capítulos, mais Introdução e Conclusão segundo os título e temas que se referem seguidamente:
OS INCRÉDULOS - OS CRÉDULOS - AS MANIFESTAÇÕES TELEPÁTICAS DE MORIBUNDOS E AS APARIÇÕES - EXPOSIÇÃO DOS FACTOS - ADMISSÃO DOS FACTOS - ACÇÃO TELEPÁTICA x COINCIDÊNCIA FORTUITA DAS ALUCINAÇÕES PROPRIAMENTE DITAS - ACÇÃO PSÍQUICA DE UM ESPÍRITO SOBRE OUTRO - TRANSMISSÃO DE PENSAMENTOS. – SUGESTÃO MENTAL. – COMUNICAÇÃO À DISTÂNCIA ENTRE PESSOAS VIVAS - O MUNDO DOS SONHOS - DIVERSIDADE INDEFINIDA DOS SONHOS – FISIOLOGIA CEREBRAL – SONHOS PSÍQUICOS: MANIFESTAÇÕES DE MORIBUNDOS RECEBIDAS DURANTE O SONO – A TELEPATIA NOS SONHOS - A VISÃO À DISTÂNCIA, EM SONHO, DE FACTOS ACTUAIS - OS SONHOS PREMONITÓRIOS E A ADIVINHAÇÃO DO FUTURO.

Eis o que o autor escreve em INTRODUÇÃO sobre esta obra:
- «As constantes e universais aspirações da humanidade pensante, a lembrança e o respeito dos mortos, a ideia inata de uma justiça imanente, o sentimento de nossa consciência e de nossas faculdades intelectuais, a miserável incoerência dos destinos terrestres, comparada à ordem matemática que rege o Universo, a imensa vertigem do infinito e da eternidade que nos vem das alturas da noite constelada e, no fundo de todas as nossas concepções, a identidade permanente do nosso eu, apesar das variações e das transformações perpétuas da substância cerebral – tudo concorre para nos dar a convicção da existência de nossa alma como entidade individual, da sua sobrevivência à destruição do nosso organismo corporal e da sua imortalidade.
«A demonstração científica, entretanto, não está ainda feita, e os fisiologistas ensinam, ao contrário, que o pensamento é uma função do cérebro, que sem este não há pensamento e que tudo em nós se extingue com a morte do corpo. Há flagrante contradição entre as superiores aspirações da humanidade e as conclusões da chamada ciência positiva.
«Por outro lado, não se pode saber, nem se pode afirmar, senão aquilo que se conseguiu aprender, e ninguém saberá jamais senão o que lhe for dado aprender. Somente a ciência progride na história actual da humanidade. «Ainda que bem raramente se lhe faça a justiça e se lhe testemunhe o reconhecimento a que faz jus, a verdade é que a Ciência transformou o mundo. Estão firmados sobre ela, na época presente, os alicerces da nossa vida intelectual e mesmo da nossa vida material. Somente a ciência nos pode esclarecer e conduzir.
«Esta obra é um ensaio de análise científica de factos considerados, geralmente, como estranhos à ciência e até mesmo como incertos, fabulosos e mais ou menos imaginários.
«Mostrarei que tais factos existem.
«Tentarei aplicar os métodos das ciências de observação à constatação e à análise de fenómenos relegados até agora, em regra, ao domínio dos contos, do maravilhoso ou do sobrenatural e procurarei demonstrar que eles são produzidos por forças ainda desconhecidas e pertencentes a um mundo invisível, natural, diferente do que é abrangido pelos nossos sentidos»

A seguir apresentamos transcrições seleccionadas desta obra no sentido de serem demonstrativas do estilo do autor e da abordagem temática:
- «O inquérito da Sociedade Psíquica de Londres conduziu ao seguinte resultado (Dariex, Annales des Sciences Psychiques, 1891, pág. 300):
«Não se tem observado mais do que uma alucinação visual para 248 pessoas. Procurando a probabilidade de coincidência fortuita da morte do agente A com a alucinação do percipiente B, chega-se ao seguinte resultado:
...1.......... 22......... 1............ 1
–––– x ––––– x –––– = –––––––––
248 .....1.000.... 365..... 4.114.545
que mostra ser a hipótese de uma acção telepática real 4.114.545 vezes mais provável do que a hipótese da coincidência fortuita. Quatro milhões, cento e catorze mil, quinhentos e quarenta e cinco vezes mais provável! Eis aí um número que começa a revelar-se com certa eloquência. Já se chega, pois, a uma probabilidade fantástica, supondo que em todos os casos a coincidência da alucinação com o acontecimento produziu-se 12 horas antes ou 12 horas depois, isto é, durante um lapso de tempo de 24 horas; mas quanto se tornaria mais fantástica ainda essa probabilidade se fossem tomadas em consideração coincidências mais aproximadas, como é de regra, e sobretudo se fosse calculado o algarismo de probabilidade de um caso em que a coincidência fosse imediata!
«Tomemos como exemplo, para mostrar o valor desse argumento, o caso seguinte, consignado nos Phantasms of the Living:
«Nicolas S... e Frederico S... estavam empregados no mesmo escritório há oito anos e eram muito amigos. Grande mesmo era a estima que um votava ao outro. Na segunda-feira, 19 de março de 1883, quando Frederico S... chegou ao escritório, queixou-se de ter sofrido uma indigestão. Foi consultar um farmacêutico que diagnosticou mau estado do fígado e deu-lhe um medicamento. Quinta-feira não deu ele mostras de ir muito melhor. Sábado não foi ao escritório e Nicolas S... soube que seu amigo submetera-se a exame com um médico que lhe recomendou um repouso de dois ou três dias, mas que não achava gravidade no caso. Nesse mesmo sábado, 24 de março, pela tarde, estando sentado em seu quarto, viu ele diante de si o seu amigo, vestido como de costume. Notou alguns detalhes da toilette: chapéu circundado de uma fita negra, sobretudo desabotoado, uma bengala na mão, etc. O espectro fixou o olhar em seu amigo, depois desapareceu. Este lembrou-se imediatamente das palavras de Job: E um espírito passou diante de mim e eriçaram-se-me os pelos da minha carne. Nesse momento um frio glacial atravessou-o e seus cabelos arrepiaram-se. Voltou-se ele, então, para sua mulher e perguntou-lhe que horas eram. – Nove horas menos 12 minutos – respondeu ela.
«Ao que acrescentou ele: – A razão pela qual vos perguntava é que Frederico morreu. Acabo de vê-lo. Tratou ela de persuadi-lo de que isso era um efeito de sua imaginação; afirmou-lhe, porém, ele que a visão se lhe apresentara de um modo tão nítido, que nenhum argumento poderia fazê-lo mudar de opinião. No dia seguinte, domingo, pelas 3 horas da tarde, o irmão de Frederico veio participar a morte, ocorrida na véspera, pelas 9 horas»

- «(Carta 204) Em 1872 ou 1873, minha mãe, ainda moça, residia na rua “des Tonnelles”, em casa de sua mãe. Ela conhecia uma família, Morange, de gente pobre, residente na rua Saint Antoine, perto do Liceu Charlemagne. Um sábado, à noite, ela encontra essa família e a pequena Morange, que a queria muito, vem mostrar-lhe um vestido novo, posto naquele mesmo dia. Deixando a menina, minha mãe entra em casa. Na manhã seguinte, ao despertar, conta-lhe sua mãe haver sonhado que a família Morange estava morta. No correr dessa manhã mesma, sabe-se que todos eles morreram durante a noite no incêndio de sua casa. Marcel Gerschel. Arrabalde Saint Denis, 80, Paris»

- «um espírito pode agir a distância sobre um outro, sem ser, como habitualmente acontece, por intermédio da palavra ou de outro qualquer meio sensível. Parece-nos de todo impossível rejeitar-se esta conclusão, desde que os factos sejam aceites […] Nada há de anti-científico nem de romanesco em admitir-se que possa uma ideia agir a distância sobre um cérebro. Fazei vibrar uma corda de violão ou de piano: a certa distância, uma outra corda de violão, de piano, vibrará e emitirá um som. A ondulação do ar é transmitida com a primeira»

Terminamos como o livro, com o seguinte excerto:
- «Cumpre sinceramente confessar, com efeito, que o que menos conhecemos ainda é a nossa própria natureza. A máxima de Sócrates: Conhece-te a ti mesmo! pode sempre inspirar os nossos mais nobres pensamentos. Todo autor tem seus imperativos de consciência. Não se deve dizer senão o que se sabe. Talvez mesmo nem sempre se deva dizer tudo o que se sabe; mas até na vida normal quotidiana, não deveríamos jamais dizer senão o que sabemos. Estudemos, portanto, trabalhemos e esperemos. O acervo dos factos de ordem psíquica mostra que vivemos em meio de um mundo invisível, no seio do qual operam forças ainda desconhecidas, o que está de acordo com o que sabemos sobre o limite dos nossos sentidos físicos e sobre os fenómenos da Natureza. É mesmo precisamente por causa de tal estado de coisas que tem este trabalho por título O Desconhecido»

DESEJAMOS UMA BOA LEITURA!

Carmen, 2011.Mar15.AELA-Destaques

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O aperfeiçoamento do espírito

«8. Para cooperar, como agentes do poder divino, com a obra dos mundos materiais, os Espíritos revestem-se temporariamente de um corpo material. Pelo trabalho de que sua existência corpórea necessita, eles aperfeiçoam sua inteligência e adquirem, observando a lei de Deus, os méritos que devem conduzi-los à felicidade eterna.
«9. A encarnação não foi imposta ao Espírito, no princípio, como uma punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e para a realização das obras de Deus, e todos devem resignar-se a ela, tomem o caminho do bem ou do mal; só que os que seguem o caminho do bem, avançando mais
rapidamente, demoram menos a chegar ao fim e lá chegam em condições menos penosas.
«10. Os Espíritos encarnados constituem a humanidade, que não está circunscrita à Terra, mas que povoa todos os mundos disseminados pelo espaço.
«11. A alma do homem é um Espírito encarnado. Para auxiliá-lo no cumprimento de sua tarefa; Deus lhe deu, como auxiliares, os animais; que lhe são submissos e cuja inteligência e caráter são proporcionais às suas necessidades.
«12. O aperfeiçoamento do Espírito é o fruto de seu próprio trabalho; não podendo, em uma única existência corpórea, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objectivo, ele aí chega por uma sucessão de existências, dando em cada uma delas alguns passos adiante no caminho do progresso.
«13. Em cada existência corpórea o Espírito deve cumprir uma missão proporcional a seu desenvolvimento; quanto mais ela for rude e laboriosa, maior seu mérito em cumpri-la. Cada existência é, assim, uma prova que o aproxima do alvo. O número de suas existências é indeterminado. Depende da vontade do Espírito de abreviá-las, trabalhando activamente em seu
aperfeiçoamento moral; assim como depende da vontade do operário que tem de realizar um trabalho abreviar o número de dias para sua execução.
«14. Quando uma existência foi mal empregada, não aproveitou o Espírito, que deve recomeçá-la em condições mais ou menos penosas, em razão de sua negligência e de sua má vontade; assim é que, na vida, podemos ser obrigados a fazer no dia seguinte o que não fizemos no anterior, ou a refazer o que fizemos mal.
«15. A vida espiritual é a vida normal do Espírito: ela é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira: é apenas um instante na eternidade.
«16. No intervalo de suas existências corpóreas, o Espírito é errante. Não por duração determinada; nesse estado o espírito é feliz ou infeliz de acordo com o bom ou mau emprego de sua última existência; ele estuda as causas que apressaram ou retardaram seu desenvolvimento; toma resoluções que tentará pôr em prática na próxima encarnação e escolhe, ele mesmo, as provas que considera mais adequadas ao seu progresso; mas algumas vezes ele se engana, ou sucumbe não mantendo como homem as resoluções que tomou como Espírito»

Allan Kardec, O ESPIRITISMO EM SUA EXPRESSÃO MAIS SIMPLES, pp. 11-12

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Igreja Católica, espíritos, mediunidade e exorcismos

Copio um texto e ligação que encontrei em http://scherzo.blogs.sapo.pt/

Refere-se a um programa de que vi parte por mero acaso mas que já revi, por inteiro, através deste link.

A não perder


«A RTP transmitiu ontem um programa duma série - Linha da Frente - intitulado "Quem és tu?"

O programa aborda a questão das "doenças da alma" e conta com a participação de Manuel Mendes de Almeida, padre e médico; Mário Simões, psiquiatra; Hugo dos Santos, psicólogo; Moisés Espírito Santo, sociólogo; Humberto Gama, padre e exorcista.

A ver por quem queira reflectir sobre o mundo que nos rodeia.

http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/linhadafrente/?1-parte-do-Linha-da-Frente-de-2011-01-26.rtp&post=13719 »

terça-feira, 18 de maio de 2010

Esquecimento do Passado e O Pensamento

Infelizmente objecta-se que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores.
Se Deus considerou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais.
Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo, de novo, relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes fez. Se reconhecesse nelas as pessoas a quem odiara, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, sentir-se-ia humilhado em presença daquelas a quem tivesse ofendido.
Para nos melhorarmos, deu-nos Deus, precisamente, o que necessitamos e o que nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas, tirando-nos o que nos poderia prejudicar.
Ao nascer, o homem, em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se é punido, é porque praticou o mal. As suas más tendências actuais indicam o que lhe falta corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar toda a sua atenção, porquanto, do que foi completamente corrigido, não resta nenhum vestígio. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações. Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corporal. Voltando à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; trata-se, portanto, duma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não nos impede de lembrar, ao acordarmos no dia seguinte, o que se fez na véspera e nos dias anteriores.
E não é somente após a morte que o Espírito readquire a lembrança do passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência dos seus actos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exacta, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, ele adquire forças novas nesses instantes de emancipação da alma, se souber aproveitá-los.
À medida que a alma avança na vida espiritual, esclarece-se e liberta-se pouco a pouco das suas imperfeições, conforme o grau de boa vontade que empregue, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo o mau pensamento resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que possui de se melhorar, até mesmo esse mau pensamento se torna uma ocasião de progresso, porque ela o repele com energia. É o sinal duma mancha que ela se esforça para fazer desaparecer. Não cederá à tentação de satisfazer um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e feliz com a sua vitória.
Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, ainda procura ocasião de praticar o mau acto e, se não o praticar, não é por efeito da sua vontade, mas por falta de ocasião. É, pois, tão culpada como se o tivesse cometido.
Em resumo, aquele que não concebe a ideia do mal, já progrediu; aquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, está próximo de alcançar progresso; aquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas diferenças ao responsabilizar o homem pelos seus actos e pensamentos.

Texto de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e debatido na reunião da AELA, 3ª feira, em 16 de Março de 2010

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

“ A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NA PLANTA, MOVE-SE NO ANIMAL E DESPERTA NO HOMEM “ - um esclarecimento


No passado dia 13 de Junho de 2009 publicámos neste Blog um texto, identificado sob o título “ A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NA PLANTA, MOVE-SE NO ANIMAL E DESPERTA NO HOMEM “

Um nosso leitor e amigo, de seu nome Henrique Fracalanza, inseriu um comentário onde expressava que a frase que atribuimos a Léon Denis, a “A alma dorme no mineral” e que esteve na origem do título do referido texto seria outra, um pouco diferente, de acordo com um artigo publicado na Revista Espiritismo e Ciência, ano 4, n.º 46.

Como não somos detentores da verdade e porque perante a dúvida importa procurar o devido esclarecimento, efectuámos uma pesquisa aprofundada e, tal como deixámos anteriormente expresso, aqui estamos a informar o nosso amigo Henrique do resultado da nossa pesquisa. Pesquisa essa que, sublinhe-se, traduziu-se numa tarefa estimulante pelos conhecimentos obtidos.

Quando digo da nossa pesquisa não estou a referir-me à inclusão da Associação Espírita Luz e Amor, mas sim a todo um grupo de irmãos que se dispõem a colaborar.

Assim encontrámos 3 trabalhos que reputamos como muito bem delineados e que qualquer deles abona a favor de que Léon Denis não escreveu em seus livros a frase que eu pessoalmente inseri na mensagem do Blogue e têm por objectivo demonstrar que aquela frase não corresponde ao que a Doutrina Espírita determina.

1º - A Alma Dorme no Mineral? Paulo da Silva Neto Sobrinho in Revista Espiritismo & Ciência, Ano 4, Nº 46 Categoria Evolução.
2º - Os Três Reinos – Categoria Estudo. Publicado por Junio Alves - em 09/05/2006 de Sérgio Biagi Gregório.
3º - Considerações a Respeito do Princípio Material e Princípio Inteligente –In Sociedade Espírita Nova Era, Filosofia, e Religião.
Lidos os livros, que estiveram ao dispor de várias edições de Léon Denis, apenas encontrámos em O Problema do Ser e do Destino uma frase que tem a mesma raiz da mencionada, só alterada por exclusão do Reino Mineral, que nos é legada por Hermes Trimegisto e que diz assim: Dans la plante, l’intelligence sommeille; dans l’animal, elle rêve; dans l’homme, seulement, elle s’éveille, se connaît, se possède et devient consciente. Pg.60 do respectivo livro na língua original.

Tradução para português:
“Na planta, a inteligência está adormecida; no animal, ela sonha; no homem somente, ela acorda, se reconhece, se possui e fica consciente”

Portanto a nossa pesquisa na verdade não encontrou a frase “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem” que rigorosamente tivesse sido escrita por Léon Denis em algum dos seus livros.

Como então se tornou tão conhecida na Internet e não só essa afirmação?

Fomos à procura e verificámos a sua inclusão nos seguintes documentos:

1º Livro dos Espíritos, traduzido pelo médium José Herculano Pires e editado primeiramente pela Lake.

Na introdução ao Livro dos Espíritos sob a rubrica A Codificação Espírita - pág.14 – nas edições mais antigas na pág. 13 – diz o seguinte: “ É o que ocorre por exemplo, com o problema da evolução geral, definida por Léon Denis naquela frase célebre:« A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem». Veja-se a este respeito, a definição do item 540 deste livro, que para maior fidelidade reproduzimos no original, podendo os leitores encontrar a tradução no lugar próprio:

« Cest ainsi que tout sert, tout s’enchaîne dans la nature, depuis l’atome primitif jusqu’a l’archange qui, lui-même, a commencé par l’atome; admirable loi d’harmonie dont votre esprit borné ne peut encore saisir l’ensemble.».

Tradução deste período para português referido no item 540.
“ É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até ao arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto.

2º - E ainda encontramos na página 52 do livro Introdução à Filosofia Espírita de José Herculano Pires a mesma frase como sendo de Léon Denis.

3º - Em Animais Nossos Irmãos de Euripedes Kuhi, em 87, 2º item menciona: Léon Denis (1846 – 1927) , considerado o consolidador do Espiritismo: “ A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem”

4º - No ponto e Vírgula – www.umeoutro.netO Despertar o Princípio Inteligente de Paulo Henrique Figueiredo – Universo Espírita. Nº04. Na dissertação “A Jornada”:

“ Do mineral á planta, da planta ao animal, do animal ao homem, do homem aos espíritos superiores. O princípio inteligente vai despertando todas as suas potencialidades no decorrer de suas experiências na matéria. A expressão de Léon Denis, o continuador de Kardec, define poeticamente essa ascensão: “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e desperta no homem”.

Posto isto, deixamos à interpretação e concepção de cada investigador, pelo respeito que toda a opinião nos merece, tirar as suas próprias conclusões em face do seu próprio edifício espiritual.

Abraços.

Abrame.

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