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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Doença Espiritual e Tratamento das Doenças Espirituais

O Espiritismo não veio para competir com qualquer especialidade médica e a sua principal actuação não é a de produzir curas. O seu papel primordial é o de iluminar e esclarecer, para que cada criatura promova, por si própria, a sua reeducação espiritual. Sem reforma íntima, não vai ocorrer progresso nem cura. Quando o corpo perece, a Alma que o anima passa a viver no mundo espiritual que está em estreita ligação com o mundo material que habitamos e os espíritos que aí vivem exercem constantemente uma forte interferência nas nossas vidas. O pensamento é força criadora, proveniente do Espírito que o impulsiona. A energia mental que o pensamento exterioriza, exerce total influência no corpo espiritual, modificando a sua forma, aparência e consistência. Cada um de nós vive em sintonia com o ambiente espiritual que as suas atitudes e desejos constroem para si próprio. No meio médico, os alemães costumam dizer que "só tem saúde aquele que ainda não foi examinado". Do ponto de vista espiritual, uma afirmação desse tipo, longe de ser um exagero, é uma verdade que só aquele que não se deteve a examinar a sua consciência pode contestar. Considerando a fisiopatogenia das doenças espirituais costumamos adoptar o seguinte conjunto de diagnósticos: Doenças espirituais auto-induzidas: desequilíbrio vibratório e auto-obsessão; Doenças espirituais compartilhadas: vampirismo e obsessão; Mediunismo; Doenças cármicas.
Desequilíbrio vibratório: A aparência e a relação entre o corpo físico e o corpo espiritual dependem exclusivamente do fluxo de ideias que construímos. O ser humano ainda perde muito dos seus dias com a crítica aos semelhantes, o ódio, a maledicência, as exigências descabidas, a ociosidade, a cólera e o azedume, entre tantas outras reclamações levianas contra a vida e contra todos. É essa desarmonia que desencadeia as costumeiras sensações de mal-estar, a fadiga sistemática, a dispneia em que o ar parece sempre faltar, os músculos que doem. A enxaqueca que o médico não consegue eliminar, a digestão que nunca se acomoda e tantas outras manifestações tidas como doenças psicossomáticas. São tantos a procurar os médicos, mas muito poucos a dedicar-se a uma reflexão sobre os prejuízos das suas mesquinhas atitudes.
A auto-obsessão: O pensamento é energia que constrói imagens que consolidam em torno de nós um campo de representações das nossas ideias. À custa dos elementos absorvidos do fluido cósmico universal, as ideias tomam formas, sustentadas pela intensidade com que pensamos no que essa ideia propõe. A matéria mental constrói em torno de nós uma atmosfera psíquica (psicosfera) na qual estão representados os nossos desejos. Nesse cenário, estão os personagens que nos aprisionam o pensamento pelo amor ou pelo ódio, pela inveja ou pela cobiça, pela indiferença ou pela protecção que projectamos para os que queremos bem. Da mesma forma, os medos, as angústias, as mágoas não resolvidas, as ideias fixas, o desejo de vingança, as opiniões cristalizadas, os objectos de sedução, o poder ou os títulos cobiçados, também se estruturam em ideias-formas. A partir daí, seremos prisioneiros do próprio medo, dos fantasmas da nossa angústia, das imagens dos nossos adversários, da falsa ilusão dos prazeres terrenos ou do brilho ilusório das vaidades humanas. A matéria mental produz a imagem ilusória que nos escraviza. Por capricho nosso, somos obsidiados pelos próprios desejos.
As doenças espirituais compartilhadas: Incluímos aqui o vampirismo e a obsessão.
Vampirismo: O mundo espiritual é povoado por uma população numerosíssima de espíritos. Contamos com eles como guias e protectores mas, na maioria das vezes, nós atraímo-los pelos vícios e eles aprisionam-nos pelo prazer. Nesses desvios da conduta humana, a mente do responsável agrega em torno de si elementos fluídicos que, aos poucos, vão construindo miasmas psíquicos com extrema capacidade corrosiva do organismo que a hospeda. Nessa associação, há uma tremenda perda de energia por parte do responsável pelo vício, daí a expressão vampirismo ser muito adequada para definir essa parceria.
Obsessão: Em muitas ocasiões do passado, já tivemos oportunidade de participar de grandes disputas financeiras, de crimes que a justiça terrena não testemunhou, de aborto clandestino que as alcovas esconderam e de traições que a sociedade repudiou e escarneceu. Nos rastos dessas mazelas humanas, nós todos, sem excepção, estamos endividados e altamente comprometidos com outras criaturas, também humanas e exigentes como nós mesmos que, agora, nos estão a exigir a cobrança de dívidas a que nos furtámos noutras épocas e a persistir no seu domínio procurando dificultar-nos a subida mais rápida para os mais elevados estágios da espiritualidade. Embora a ciência médica de hoje ainda não a traga nos seus registos nosológicos, a obsessão espiritual, na qual uma criatura exerce o seu domínio sobre a outra, é, de longe, o maior dos males da patologia humana.
Mediunismo: Manifestações sintomáticas apresentadas por aqueles que iniciam as suas manifestações mediúnicas.
Doenças cármicas: Sempre que, pelas nossas intemperanças, descuramos os cuidados com o nosso corpo e prejudicamos o equilíbrio físico ou psíquico do nosso próximo, estamos imprimindo esses desajustes nas células do corpo espiritual que nos serve. Mais do que a cura das doenças, a medicina tibetana, há milénios, ensinava que médico e pacientes devem buscar a oportunidade da iluminação. Os padecimentos pela dor, e as limitações que as doenças trazem, possibilitam-nos o esclarecimento se nos predispusermos a buscá-lo. Mais importante do que aceitar o sofrimento numa resignação passiva e pouco produtiva, torna-se necessário superar qualquer limitação ou revolta, para promovermos o crescimento espiritual, através dessa descoberta interior e individual.

Texto lido e discutido na AELA, 3ª feira, dia 6 de Julho de 2010
Excertos de “O Cérebro e a Mente” de Núbor Orlando Facure - especialista em neurologia, neurocirurgião, ex-professor titular de neurocirurgia da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas. Actualmente, é director do Instituto do Cérebro de Campinas

Tratamento das Doenças Espirituais
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Corrigir os problemas espirituais implica reeducar o espírito. Os tratamentos sintomáticos podem trazer um socorro imediato ou um alívio importante, mas transitório. Percorrer as casas espíritas em busca de alívio pelo passe magnético, pela água fluida magnetizada com os fluidos revitalizadores, ou para desfrutar de alguns momentos de saudável harmonia com a espiritualidade, apenas repetem as buscas superficiais que a maioria das pessoas faz em qualquer consultório médico ou recinto de cura de outras instituições religiosas que prometem curas rápidas.
Trabalhar para conhecer e tratar a doença espiritual exige uma reforma interior que exige esforço, disciplina e dedicação.
Nesse sentido, o médico não está ali para controlar a doença de quem o procura, mas deve comprometer-se em desempenhar o papel de orientador seguro, com atitudes condizentes com as que propõe ao paciente.
O postulado número um nesse tratamento deve ser, portanto, um código de conduta moral, que deve partir do compromisso que o médico e qualquer outro terapeuta deve assumir.
São de grande sensibilidade os conselhos de Allan Kardec:
"...Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem (12)".
No nosso ambiente de trabalho, temos adoptado conduta simples que até agora nos tem parecido de grande repercussão no tratamento: Desde a sala de espera, criamos um ambiente em que o paciente já começa a perceber que o nosso trabalho está comprometido com a espiritualidade. Sem qualquer ostentação de misticismo vulgar ou crenças supersticiosas, na sala de espera, o paciente lê um convite para participar da nossa reunião de diálogo com o evangelho feita no período da manhã.
Entre outras mensagens, que ele pode retirar e levar para uma leitura mais demorada, fizemos constar um livro de preces, onde podem ser colocados nomes e endereços para serem encaminhadas às vibrações nos dias da leitura do evangelho, que é sempre precedida e encerrada com meditação e prece.
Os quadros de obsessão e outras patologias, nos quais se supõe que haja interferências mais graves de entidades espirituais, devem ser obrigatoriamente referidos para as casas espíritas, que estão preparadas adequadamente para lidar com esses dramas.

In “O Cérebro e a Mente” de Núbor Orlando Facure

terça-feira, 18 de maio de 2010

Esquecimento do Passado e O Pensamento

Infelizmente objecta-se que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores.
Se Deus considerou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais.
Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo, de novo, relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes fez. Se reconhecesse nelas as pessoas a quem odiara, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, sentir-se-ia humilhado em presença daquelas a quem tivesse ofendido.
Para nos melhorarmos, deu-nos Deus, precisamente, o que necessitamos e o que nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas, tirando-nos o que nos poderia prejudicar.
Ao nascer, o homem, em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se é punido, é porque praticou o mal. As suas más tendências actuais indicam o que lhe falta corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar toda a sua atenção, porquanto, do que foi completamente corrigido, não resta nenhum vestígio. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações. Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corporal. Voltando à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; trata-se, portanto, duma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não nos impede de lembrar, ao acordarmos no dia seguinte, o que se fez na véspera e nos dias anteriores.
E não é somente após a morte que o Espírito readquire a lembrança do passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência dos seus actos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exacta, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, ele adquire forças novas nesses instantes de emancipação da alma, se souber aproveitá-los.
À medida que a alma avança na vida espiritual, esclarece-se e liberta-se pouco a pouco das suas imperfeições, conforme o grau de boa vontade que empregue, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo o mau pensamento resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que possui de se melhorar, até mesmo esse mau pensamento se torna uma ocasião de progresso, porque ela o repele com energia. É o sinal duma mancha que ela se esforça para fazer desaparecer. Não cederá à tentação de satisfazer um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e feliz com a sua vitória.
Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, ainda procura ocasião de praticar o mau acto e, se não o praticar, não é por efeito da sua vontade, mas por falta de ocasião. É, pois, tão culpada como se o tivesse cometido.
Em resumo, aquele que não concebe a ideia do mal, já progrediu; aquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, está próximo de alcançar progresso; aquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas diferenças ao responsabilizar o homem pelos seus actos e pensamentos.

Texto de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e debatido na reunião da AELA, 3ª feira, em 16 de Março de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Evocação e Invocação

Li, recentemente, num site espírita, o seguinte: «Devemos pedir aos bons espíritos para nos assistirem através da evocação indirecta, ou seja, somente por uma prece direccionada aos nossos mentores e guias.»

Relativamente a este modo de designar a prece por evocação indirecta, vejamos o que diz a doutrina espírita:

«INVOCAÇÃO (do latim in, em e vocare, chamar). EVOCAÇÃO (do latim vocare e e ou ex, de, fora de). As duas palavras não são sinónimos perfeitos; embora tenham a mesma raiz vocare: chamar, é um erro empregar uma pela outra. Segundo a definição académica “Evocar é chamar, fazer vir a si, fazer aparecer através de cerimónias mágicas, de encantamentos. Evocar almas, Espíritos, sombras. Os necromantes pretendiam evocar as almas dos mortos”. Antigamente, evocar era fazer sair as almas dos Infernos para que viessem até nós. Invocar é chamar para si, ou em seu socorro, um poder superior ou sobrenatural. Invoca-se a Deus pela oração. Na religião católica invocam-se os Santos. Toda a oração é uma invocação. A invocação está no pensamento; a evocação é um acto. Na invocação o ser a quem nos dirigimos ouve-nos; na evocação ele sai de onde se achava e vem manifestar-nos a sua presença.
A invocação apenas se dirige aos seres que supomos suficientemente elevados para nos assistir; a evocação dirige-se tanto aos Espíritos inferiores como aos superiores. … … …
A arte das evocações remonta à mais alta antiguidade. Encontramo-la em todas as épocas e em todos os povos.* Outrora a evocação era acompanhada de práticas místicas, ou porque as considerassem necessárias, ou porque, e é o mais provável, quisessem exibir o prestígio de um poder superior. Hoje sabemos que o poder de evocar não é um privilégio, pertence a todos, e que todas as cerimónias mágicas e cabalísticas nada mais eram que vão aparato.» – Allan Kardec

«–É aconselhável a evocação directa de determinados Espíritos?
-Não somos dos que aconselham a evocação directa e pessoal, em caso algum.
Se essa evocação é passível de êxito, a sua exequibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto, no complexo dos fenómenos espíritas, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem-intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade da sua posição evolutiva e segundo o merecimento do seu coração.
Podereis objectar que Allan Kardec se interessou pela evocação directa, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidade de méritos ainda distantes da esfera de actividade dos aprendizes comuns.» – Emmanuel

Texto retirado de “Instrução Prática das Manifestações Espíritas”, Paris, 1858 **
e de “O Consolador” de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier
Texto debatido na reunião da AELA, 3ª feira, em 11 de Maio de 2010

*Na Bíblia é normalmente referida a passagem em que Saul consulta a vidente de En-Dor - 1Sm. 28, 7-22 (curiosamente, a edição da Difusora Bíblica de 2001, usa o termo invocar na tradução desta passagem). No entanto há outras referências como, por exemplo, no 2º Livro dos Reis, cap. 22, 14-20, em que o Rei Josias, após ouvir a leitura do Livro da Lei, manda um sacerdote (e mais quatro pessoas da sua confiança) consultar a profetisa Hulda que vivia em Jerusalém.

**Kardec publicou a 1ª edição de “O Livro dos Espíritos” em 1857. Essa 1ª edição continha 501 itens, em 3 partes. A 2ª edição, em 1860, continha 1019 itens, em 4 partes.
Após a edição de “O Livro dos Médiuns", em 1861, Kardec deixou de publicar o opúsculo "Instruction Pratique Sur Les Manifestations Spirites".

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