quinta-feira, 22 de julho de 2010

A QUEM PERTENCE o muro ?

Conta-se por ai que havia um grande muro separando dois grandes grupos.  De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus. Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que não servem a Deus. E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão, mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco os prazeres do mundo. O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem parar para ele:

- Ei, desce do muro agora... Vem pra cá!".

 Já o grupo de Satanás não gritava e nem dizia nada. Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a Satanás:

- O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês?

 Grande foi a surpresa do jovem quando Satanás respondeu:
- Ora, para que chamá-lo se o muro é meu?.

(Autor Desconhecido)

Esta pequena alegoria de origem nitidamente religiosa, nos motiva a interessantes reflexões. Nós, espíritas, sabemos que Satanás só existe enquanto personificação representativa do Mal, uma vez que Deus jamais criaria seres “perfeitos” mas que eram imperfeitos a ponto de involuirem do Bem para o Mal.

Partindo desta pequena ressalva, podemos nos perguntar porque o muro pertence ao Mal? O que simboliza o muro? Fácil é perceber que o muro representa a posição neutra e confortável daquele que nada faz, que não escolhe lado, que opta pela omissão, pela inatividade, acha que não fazer o mal é um bem, ledo engano pois ainda que não se faça o mal, quem está sobre o muro também não faz o bem, e quem não faz o bem ajuda o mal a disseminar-se.

As pessoas estão cada vez mais perdidas em seus valores fundamentais. Há completa inversão da noção do certo e do errado, uma tendência maior a querer satisfazer as opiniões da sociedade em detrimento da própria consciência. Opta-se mais pela fama, pela aparência, pela riqueza, pelo poder, do que pela moral ilibada e uma ética incoercível. A Terra, porém, em seu processo de evolução para mundo de Regeneração, não mais comporta omissões, exige-nos a tomada de decisão, já não há mais muro para sentar e assistir de camarote o que acontece.

Na obra O Céu e o Inferno, livro básico da Codificação Espírita, os Espíritos explicam o Código Penal da Vida Futura. Vejamos seu item 6º, que diz:

"O bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos é, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre".

Somos, portanto, responsáveis pelo Bem que fazemos, pelo Mal que fazemos, e pelo Mal que decorre do Bem que não fizemos mas poderíamos ter feito.

Não é de uma perspicácia e bondade divinas incrível!? Deus dá-nos méritos por todo o Bem que fazemos! E a Lei de Ação e Reação, a mesma que premia os esforços individuais, é a que se torna nossa educadora quanto às imperfeições que carregamos, a partir do momento em que nossos atos prejudicam o próximo, direta ou indiretamente.

Quando falamos sobre a contradição de permanecer em cima do muro da omissão, criticando quem faz o mal, criticando quem erra procurando acertar, é porque a inatividade, o comodismo, a reclamação contumaz são armas das trevas, instrumentos de espíritos atrasados moralmente, encarnados ou não, a quem convém fazer estagnar no ócio e no prazer destrutivo de regozijar-se com o erro alheio.

Somos espíritas, somos cristãos, sabemos que é impossível amar sentados, de mãos ociosas, assistindo como fosse obra de ficção, a quem sofre ao nosso lado. Pois bem, desçamos logo do muro, antes que a dor, educadora da alma rebelde, nos alcance.


Fraternais abraços!
Vania Mugnato de Vasconcelos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Em Destaque - Nosso Lar por Francisco C. Xavier

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NOSSO LAR

por Francisco Cândido Xavier


Colecção A Vida no Mundo Espiritual

1. Nosso Lar (1944)
2. Os Mensageiros (1944)
3. Missionários da Luz (1945)
4. Obreiros da Vida Eterna (1946)
5. No Mundo Maior (1947)
6. Libertação (1949)
7. Entre a Terra e o Céu (1954)
8. Nos Domínios da Mediunidade (1955)
9. Acção e Reacção (1957)
10. Evolução em Dois Mundos (1958)
11. Mecanismos da Mediunidade (1960)
12. Sexo e Destino (1963)
13. E a Vida Continua... (1968)

QUANDO O SERVIDOR ESTÁ PRONTO, O SERVIÇO APARECE


Esta obra é uma psicografia ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Xavier e, formalmente, é o primeiro dos treze livros que constituem a Colecção A Vida no Mundo Espiritual.

Nas primeiras linhas de Novo Amigo, que serve de prefácio á obra, e assinado por Emmanuel podemos ler:

- «Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. Para redimirmos o passado escabroso, modificam-se tabelas da nomenclatura usual na reencarnação. Funciona o esquecimento temporário como bênção da Divina Misericórdia. André precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.
«É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade. Por trazer valiosas impressões aos companheiros do mundo, necessitou despojar-se de todas as convenções, inclusive a do próprio nome, para não ferir corações amados, envolvidos ainda nos velhos mantos da ilusão. Os que colhem as espigas maduras, não devem ofender os que plantam a distância, nem perturbar a lavoura verde, ainda em flor […] de há muito desejamos trazer ao nosso círculo espiritual alguém que possa transmitir a outrem o valor da experiência própria, com todos os detalhes possíveis à legítima compreensão da ordem que preside o esforço dos desencarnados laboriosos e bem-intencionados, nas esferas invisíveis ao olhar humano, embora intimamente ligadas ao planeta […] A surpresa, a perplexidade e a dúvida são de todos os aprendizes que ainda não passaram pela lição […] Todo leitor precisa analisar o que lê»

Esta obra está subdividida em 50 capítulos e, como exemplo, apresentamos os títulos de alguns: Nas Zonas Inferiores - A Oração Colectiva - O Médico Espiritual - Organização de Serviços - Problema de Alimentação - A Visita Materna - Noções de Lar - Novas Perspectivas - Vampiro - Curiosas Observações - Encontro Singular - O Sonho - A Palavra do Governador - No Campo da Música - Sacrifício de Mulher - Regressando à Casa - Cidadão de Nosso Lar.

Em Mensagem de André Luiz podemos ler:

- «A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é jogo escuro das ilusões.
«O grande rio tem seu trajecto, antes do mar imenso. Copiando-lhe a expressão, a alma percorre igualmente caminhos variados e etapas diversas, também recebe afluentes de conhecimentos, aqui e ali, avoluma-se em expressão e purifica-se em qualidade, antes de encontrar o Oceano Eterno da Sabedoria […] É preciso muito esforço do homem para ingressar na academia do Evangelho do Cristo, ingresso que se verifica, quase sempre, de estranha maneira - ele só, na companhia do Mestre, efectuando o curso difícil, recebendo lições sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações sem palavras articuladas.
«Muito longa, portanto, nossa jornada laboriosa»

As transcrições a seguir referidas têm como objectivo facilitar a observação do estilo do autor, assim como a sua abordagem temática:

- «Eu guardava a impressão de haver perdido a ideia de tempo. A noção de espaço esvaíra-se-me de há muito. Estava convicto de não mais pertencer ao número dos encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a longos haustos.
«Desde quando me tornara joguete de forças irresistíveis? Impossível esclarecer. Sentia-me, na verdade, amargurado duende nas grades escuras do horror. Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo terrível assenhoreando-me, muita vez gritei como louco, implorei piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me subjugava o espírito; mas, quando o silêncio implacável não me absorvia a voz estentórica, lamentos mais comovedores que os meus respondiam-me aos clamores. «Outras vezes gargalhadas sinistras rasgavam a quietude ambiente. «Algum companheiro desconhecido estaria, a meu ver, prisioneiro da loucura. Formas diabólicas, rostos alvares, expressões animalescas surgiam, de quando em quando, agravando-me o assombro […] fugia sempre... O medo me impelia de roldão. Onde o lar, a esposa, os filhos? «Perdera toda a noção de rumo […] De início, as lágrimas lavavam-me incessantemente o rosto e apenas, em minutos raros, felicitava-me a bênção do sono. Interrompia-se, porém, bruscamente, a sensação de alívio. Seres monstruosos acordavam-me, irónicos; era imprescindível fugir deles […] Em momento algum, o problema religioso surgiu tão profundo a meus olhos»

- «Consolou-me a palavra maternal, reorganizando-me as energias interiores. Minha mãe comentava o serviço como se fora uma bênção às dores e dificuldades, levando-as a crédito de alegrias e lições sublimes. Inesperado e inexprimível contentamento banhava-me o espírito. Aqueles conceitos alimentavam-me de estranho modo. Sentia-me outro, mais alegre, animado e feliz.
« – Oh! minha mãe! - exclamei comovido - deve ser maravilhosa a esfera da sua habitação! Que sublimes contemplações espirituais, que ventura!.
«Ela esboçou um sorriso significativo e obtemperou: – A esfera elevada, meu filho, requer, sempre, mais trabalho, maior abnegação. Não suponhas que tua mãe permaneça em visões beatíficas, a distância dos deveres justos. Devo fazer-te sentir, no entanto, que minhas palavras não representam qualquer nota de tristeza, na situação em que me encontro. É antes revelação de responsabilidade necessária. Desde que voltei da Terra, tenho trabalhado intensamente pela nossa renovação espiritual. Muitas entidades, desencarnando, permanecem agarradas ao lar terrestre, a pretexto de muito amarem os que demoram no mundo carnal. Ensinaram-me aqui, todavia, que o verdadeiro amor, para transbordar em benefícios, precisa trabalhar sempre. Desde minha vinda, então, procuro esforçar-me por conquistar o direito de ajudar aqueles que tanto amamos»

E terminamos com o seguinte excerto:

- « – Precisamos organizar - dizia ela - determinados elementos para o serviço hospitalar urgente, embora o conflito se tenha manifestado tão longe, bem como exercícios adequados contra o medo.
« – Contra o medo? - acrescentei, admirado.
« – Como não? - objectou a enfermeira, atenciosa. – Talvez estranhe, como acontece a muita gente, a elevada percentagem de existências humanas estranguladas simplesmente pelas vibrações destrutivas do terror, que é tão contagioso como qualquer moléstia de perigosa propagação. Classificamos o medo como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas. Observando-me a estranheza, continuou: – Não tenha dúvida. A Governadoria, nas actuais emergências, coloca o treino contra o medo muito acima das próprias lições de enfermagem. A calma é garantia do êxito. Mais tarde, compreenderá tais imperativos de serviço»

DESEJAMOS UMA BOA LEITURA!

Carmen, 2010.Jul.15 AELA - Destaques

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Doença Espiritual e Tratamento das Doenças Espirituais

O Espiritismo não veio para competir com qualquer especialidade médica e a sua principal actuação não é a de produzir curas. O seu papel primordial é o de iluminar e esclarecer, para que cada criatura promova, por si própria, a sua reeducação espiritual. Sem reforma íntima, não vai ocorrer progresso nem cura. Quando o corpo perece, a Alma que o anima passa a viver no mundo espiritual que está em estreita ligação com o mundo material que habitamos e os espíritos que aí vivem exercem constantemente uma forte interferência nas nossas vidas. O pensamento é força criadora, proveniente do Espírito que o impulsiona. A energia mental que o pensamento exterioriza, exerce total influência no corpo espiritual, modificando a sua forma, aparência e consistência. Cada um de nós vive em sintonia com o ambiente espiritual que as suas atitudes e desejos constroem para si próprio. No meio médico, os alemães costumam dizer que "só tem saúde aquele que ainda não foi examinado". Do ponto de vista espiritual, uma afirmação desse tipo, longe de ser um exagero, é uma verdade que só aquele que não se deteve a examinar a sua consciência pode contestar. Considerando a fisiopatogenia das doenças espirituais costumamos adoptar o seguinte conjunto de diagnósticos: Doenças espirituais auto-induzidas: desequilíbrio vibratório e auto-obsessão; Doenças espirituais compartilhadas: vampirismo e obsessão; Mediunismo; Doenças cármicas.
Desequilíbrio vibratório: A aparência e a relação entre o corpo físico e o corpo espiritual dependem exclusivamente do fluxo de ideias que construímos. O ser humano ainda perde muito dos seus dias com a crítica aos semelhantes, o ódio, a maledicência, as exigências descabidas, a ociosidade, a cólera e o azedume, entre tantas outras reclamações levianas contra a vida e contra todos. É essa desarmonia que desencadeia as costumeiras sensações de mal-estar, a fadiga sistemática, a dispneia em que o ar parece sempre faltar, os músculos que doem. A enxaqueca que o médico não consegue eliminar, a digestão que nunca se acomoda e tantas outras manifestações tidas como doenças psicossomáticas. São tantos a procurar os médicos, mas muito poucos a dedicar-se a uma reflexão sobre os prejuízos das suas mesquinhas atitudes.
A auto-obsessão: O pensamento é energia que constrói imagens que consolidam em torno de nós um campo de representações das nossas ideias. À custa dos elementos absorvidos do fluido cósmico universal, as ideias tomam formas, sustentadas pela intensidade com que pensamos no que essa ideia propõe. A matéria mental constrói em torno de nós uma atmosfera psíquica (psicosfera) na qual estão representados os nossos desejos. Nesse cenário, estão os personagens que nos aprisionam o pensamento pelo amor ou pelo ódio, pela inveja ou pela cobiça, pela indiferença ou pela protecção que projectamos para os que queremos bem. Da mesma forma, os medos, as angústias, as mágoas não resolvidas, as ideias fixas, o desejo de vingança, as opiniões cristalizadas, os objectos de sedução, o poder ou os títulos cobiçados, também se estruturam em ideias-formas. A partir daí, seremos prisioneiros do próprio medo, dos fantasmas da nossa angústia, das imagens dos nossos adversários, da falsa ilusão dos prazeres terrenos ou do brilho ilusório das vaidades humanas. A matéria mental produz a imagem ilusória que nos escraviza. Por capricho nosso, somos obsidiados pelos próprios desejos.
As doenças espirituais compartilhadas: Incluímos aqui o vampirismo e a obsessão.
Vampirismo: O mundo espiritual é povoado por uma população numerosíssima de espíritos. Contamos com eles como guias e protectores mas, na maioria das vezes, nós atraímo-los pelos vícios e eles aprisionam-nos pelo prazer. Nesses desvios da conduta humana, a mente do responsável agrega em torno de si elementos fluídicos que, aos poucos, vão construindo miasmas psíquicos com extrema capacidade corrosiva do organismo que a hospeda. Nessa associação, há uma tremenda perda de energia por parte do responsável pelo vício, daí a expressão vampirismo ser muito adequada para definir essa parceria.
Obsessão: Em muitas ocasiões do passado, já tivemos oportunidade de participar de grandes disputas financeiras, de crimes que a justiça terrena não testemunhou, de aborto clandestino que as alcovas esconderam e de traições que a sociedade repudiou e escarneceu. Nos rastos dessas mazelas humanas, nós todos, sem excepção, estamos endividados e altamente comprometidos com outras criaturas, também humanas e exigentes como nós mesmos que, agora, nos estão a exigir a cobrança de dívidas a que nos furtámos noutras épocas e a persistir no seu domínio procurando dificultar-nos a subida mais rápida para os mais elevados estágios da espiritualidade. Embora a ciência médica de hoje ainda não a traga nos seus registos nosológicos, a obsessão espiritual, na qual uma criatura exerce o seu domínio sobre a outra, é, de longe, o maior dos males da patologia humana.
Mediunismo: Manifestações sintomáticas apresentadas por aqueles que iniciam as suas manifestações mediúnicas.
Doenças cármicas: Sempre que, pelas nossas intemperanças, descuramos os cuidados com o nosso corpo e prejudicamos o equilíbrio físico ou psíquico do nosso próximo, estamos imprimindo esses desajustes nas células do corpo espiritual que nos serve. Mais do que a cura das doenças, a medicina tibetana, há milénios, ensinava que médico e pacientes devem buscar a oportunidade da iluminação. Os padecimentos pela dor, e as limitações que as doenças trazem, possibilitam-nos o esclarecimento se nos predispusermos a buscá-lo. Mais importante do que aceitar o sofrimento numa resignação passiva e pouco produtiva, torna-se necessário superar qualquer limitação ou revolta, para promovermos o crescimento espiritual, através dessa descoberta interior e individual.

Texto lido e discutido na AELA, 3ª feira, dia 6 de Julho de 2010
Excertos de “O Cérebro e a Mente” de Núbor Orlando Facure - especialista em neurologia, neurocirurgião, ex-professor titular de neurocirurgia da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas. Actualmente, é director do Instituto do Cérebro de Campinas

Tratamento das Doenças Espirituais
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Corrigir os problemas espirituais implica reeducar o espírito. Os tratamentos sintomáticos podem trazer um socorro imediato ou um alívio importante, mas transitório. Percorrer as casas espíritas em busca de alívio pelo passe magnético, pela água fluida magnetizada com os fluidos revitalizadores, ou para desfrutar de alguns momentos de saudável harmonia com a espiritualidade, apenas repetem as buscas superficiais que a maioria das pessoas faz em qualquer consultório médico ou recinto de cura de outras instituições religiosas que prometem curas rápidas.
Trabalhar para conhecer e tratar a doença espiritual exige uma reforma interior que exige esforço, disciplina e dedicação.
Nesse sentido, o médico não está ali para controlar a doença de quem o procura, mas deve comprometer-se em desempenhar o papel de orientador seguro, com atitudes condizentes com as que propõe ao paciente.
O postulado número um nesse tratamento deve ser, portanto, um código de conduta moral, que deve partir do compromisso que o médico e qualquer outro terapeuta deve assumir.
São de grande sensibilidade os conselhos de Allan Kardec:
"...Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem (12)".
No nosso ambiente de trabalho, temos adoptado conduta simples que até agora nos tem parecido de grande repercussão no tratamento: Desde a sala de espera, criamos um ambiente em que o paciente já começa a perceber que o nosso trabalho está comprometido com a espiritualidade. Sem qualquer ostentação de misticismo vulgar ou crenças supersticiosas, na sala de espera, o paciente lê um convite para participar da nossa reunião de diálogo com o evangelho feita no período da manhã.
Entre outras mensagens, que ele pode retirar e levar para uma leitura mais demorada, fizemos constar um livro de preces, onde podem ser colocados nomes e endereços para serem encaminhadas às vibrações nos dias da leitura do evangelho, que é sempre precedida e encerrada com meditação e prece.
Os quadros de obsessão e outras patologias, nos quais se supõe que haja interferências mais graves de entidades espirituais, devem ser obrigatoriamente referidos para as casas espíritas, que estão preparadas adequadamente para lidar com esses dramas.

In “O Cérebro e a Mente” de Núbor Orlando Facure

domingo, 4 de julho de 2010

A doutrinação e seus métodos – parte 2

Diz-nos Edgard Armond que as sessões de doutrinação de Espíritos objectivam esclarecer entidades desencarnadas a respeito de sua própria situação espiritual, orientando-as no sentido do seu despertar no plano invisível e o seu subsequente equilíbrio e progresso espirituais. Para facilitar o seu despertar ou o seu esclarecimento, Espíritos jungidos ao habitat terrestre por força da lei de afinidade são trazidos às sessões de doutrinação e aí ligados momentaneamente a médiuns de incorporação, com o que, no contacto com os fluidos benéficos da corrente aí formada, acrescidos dos ensinamentos recebidos do doutrinador encarnado, logram quase sempre despertar e retomar o caminho do aperfeiçoamento espiritual.
Doutrinar Espíritos não é, porém, tarefa fácil. Segundo observa André Luiz, a pessoa envolvida nessa tarefa não pode esquecer que a Espiritualidade Superior confia nela e dela aguarda o cultivo de determinados atributos como os que se seguem: a) direcção e discernimento; b) bondade e energia; c) autoridade fundamentada no exemplo; d) hábito de estudo e oração; e) dignidade e respeito para com todos; f) afeição sem privilégios; g) brandura e firmeza; h) sinceridade e entendimento; i) conversação construtiva.
A doutrinação, informa Herculano Pires, existe em todos os planos, mas o trabalho mais rude e pesado é o que se processa em nosso mundo. Orgulhoso e inútil, e até mesmo prejudicial, será o doutrinador que se julgar capaz de doutrinar por si mesmo. Só pode realmente doutrinar Espíritos quem tiver amor e humildade. Dito isto, Herculano Pires observa que, muitas vezes, a doutrinação exige atitudes enérgicas, não ofensivas nem agressivas, mas firmes e imperiosas. É o momento em que o doutrinador trata o obsessor com autoridade moral, a única autoridade que podemos ter sobre os Espíritos inferiores, que sentem a nossa autoridade e a ela se submetem em virtude da força moral de que dispusermos. Essa autoridade, no entanto, só conseguimos adquirir por meio de uma vivência digna no mundo, sendo sempre correctos em nossas intenções e em nossos actos, em todos os sentidos, porquanto as nossas falhas morais não combatidas, não controladas, diminuem a nossa autoridade sobre os obsessores.
Como a doutrinação não objectiva somente Espíritos sofredores, mas igualmente Espíritos ignorantes que ainda permanecem em esferas de embrutecimento, e Espíritos maldosos que se devotam ao mal conscientemente, bem variado deve ser o modo de doutrinar uns e outros.
Há, entretanto, determinadas regras que não podem deixar de ser aplicadas nessa tarefa:
a) receber com atenção e interesse as comunicações; c) envolver o comunicante num clima de vibrações fraternais, dando oportunidade para que ele fale; d) estabelecer em tempo oportuno um diálogo amigo e esclarecedor; e) evitar acusações e desafios desnecessários; f) confortar e amparar através do esclarecimento; g) não discutir com exaltação tentando impor seu ponto de vista; h) não receber a todos como se fossem embusteiros e agentes do mal; i) ser preciso e enérgico na hora necessária, sem ser cruel e agressivo; j) evitar o tom de discurso e também as longas prelecções l) ser claro, objectivo, honesto, amigo, fraterno, buscando dar ao comunicante aquilo que gostaria de receber se no lugar dele estivesse.
André Luiz recomenda, a dirigentes e esclarecedores e a todos os que participam das reuniões mediúnicas, que tenham sempre em mente os 13 seguintes princípios:
2. Esclarecimento aos desencarnados sofredores assemelha-se à psicoterapia e a reunião é tratamento em grupo, na qual, sempre que possível, deverão ser aplicados os métodos evangélicos. 3. A parte essencial ao entendimento é atingir o centro de interesse do Espírito preso a ideias fixas, para que se lhes descongestione o campo mental… 5. Cada Espírito sofredor deve ser recebido como se fosse um familiar nosso extremamente querido; agindo assim, acertaremos com a porta íntima através da qual lhe falaremos ao coração. 8. É preciso anular qualquer intento de discussão ou desafio com os Espíritos comunicantes, dando mesmo razão, algumas vezes, aos manifestantes infelizes e obsessores. 9. Nem sempre a desobsessão real consiste em desfazer o processo obsessivo de imediato, porquanto em diversos casos a separação de obsidiado e obsessor deve ser praticada lentamente 11. Não se deve constranger os médiuns psicofónicos a receberem os desencarnados presentes, atentos ao preceito da espontaneidade, factor essencial ao êxito do intercâmbio. 13. Se o manifestante perturbado se fixar no braseiro da revolta ou na sombra da queixa, indiferente ou recalcitrante, o esclarecedor deve solicitar a cooperação dos benfeitores espirituais presentes para que o necessitado rebelde seja confiado à assistência espiritual especializada.

Excertos dum texto de Astolfo Olegário de Oliveira Filho (1) e debatido na reunião da AELA, na 3ª feira, dia 22 de Junho de 2010
(1) Director da revista semanal electrónica “O Consolador”(*) e editor do jornal mensal “O Imortal”(*)
(*)Brasil

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lei do karma não é lei de causa e efeito

«A palavra karma utilizada na Índia e por muitas correntes filosóficas e religiosas, significa em primeira instância “acção”, “trabalho” ou “efeito”. No sentido secundário, o efeito de uma acção ou, se preferirmos, a soma dos efeitos de acções (vidas) passadas reflectindo-se no presente. Na concepção hindu, karma quer dizer “destino” determinado ou fixo.» in “O Verbo e a Carne” de José Herculano Pires
Ora o destino enquanto determinismo é precisamente um ponto em que a Doutrina Espírita diverge da lei do karma uma vez que esta pressupõe sempre uma dívida a ser resgatada enquanto a Doutrina Espírita se posiciona de modo diferente. A lei de causa e efeito apresenta-nos a ideia de que o futuro depende também das acções e decisões do presente. Uma causa positiva gera um efeito positivo e uma causa negativa gera um efeito igualmente negativo, ou seja, para o Espiritismo cada ser humano é um espírito imortal encarnado que herda as consequências boas ou más das suas encarnações anteriores. Em “O Livro dos Espíritos”, pergunta 1009, lê-se o seguinte: «Dizeis que, acima de tudo, Deus é justo e que o homem não lhe compreende a justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. …no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta sentença: A cada um segundo as suas obras.»
Retendo apenas a frase “A cada um segundo as suas obras” e ignorando a parte onde se refere “que a duração das penas depende dos esforços do culpado” podemos deduzir que significa a aplicação da lei do karma mas vejamos outro trecho do mesmo livro, pergunta 178: «Podem os Espíritos encarnar num mundo relativamente inferior a outro onde já viveram? “Sim, se for para cumprir uma missão e ajudar ao progresso. Aceitam com alegria as dificuldades dessa existência, porque lhes oferecem um meio de avançar.”
Mas, não pode dar-se também por expiação? Não pode Deus degredar para mundos inferiores Espíritos rebeldes? “Os Espíritos podem conservar-se estacionários, mas não regridem. Em caso de estacionamento, a punição deles consiste em não avançarem, em recomeçarem, no meio conveniente à sua natureza, as existências mal-empregadas.”»
E em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. V. § 9, escreveu Kardec: «No entanto, não se deve acreditar que todo o sofrimento suportado aqui na Terra seja, necessariamente, o indício duma determinada falta; muitas vezes, os sofrimentos são simples provas escolhidas pelo Espírito para concluir a sua depuração e acelerar o seu progresso. Assim sendo, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Porém, provas ou expiações, na verdade são sinais duma inferioridade relativa, visto que o que é perfeito não precisa de ser provado. Um Espírito, portanto, pode ter chegado a certo grau de elevação mas querendo avançar mais ainda, solicitar uma missão, uma tarefa a cumprir e pela qual, se sair vitorioso, será tanto mais recompensado quanto mais penosa tenha sido a luta.
E, na mesma linha, escreve Léon Denis em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, 2ª parte: «É necessário evitarmos ver, nas provações e dores da Humanidade, a consequência exclusiva de faltas passadas. Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em vida de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda a pena sofrida.»
E acabando novamente com Kardec e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. V, § 7: «Tanto os sofrimentos devidos a causas anteriores como os resultantes das faltas actuais são, muitas vezes, a consequência da falta cometida, ou seja, por uma rigorosa justiça distributiva, o homem sofre o que fez sofrer aos outros; se foi duro e desumano poderá, por sua vez, ser tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em condições humilhantes; se foi avaro, egoísta ou fez mau uso dos seus haveres, poderá ver-se privado do necessário; … etc.

Texto lido e discutido na AELA em 2 de Fevereiro de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

Chico Xavier e a Bhagavad Gita: a disciplina do coração

Vi outro dia num site Espírita a seguinte recomendação: “você deve seguir sempre o seu coração”. O site também sugeria que o conceito de espiritualidade iria, no futuro, ocupar o espaço hoje reservado à ‘religião’ do homem dividido: “Um dia os homens não terão mais rótulos religiosos. Ninguém se dirá católico, protestante, hindu, (…) ou qualquer outra coisa, porque a única identificação que trará consigo será o amor.”. Isto me fez pensar na obra de Chico Xavier e como ela se relaciona com a antiga disciplina do coração, fundada no amor, conforme a exposição de Krishna à Arjuna na Bhagavad Gita. Os romances de Chico Xavier trazem ao ocidente esse aprofundamento sobre a disciplina introduzida por Cristo. A sua obra retrata a relação do ser humano com a divindade que reside no coração e a sua lei, mantendo-se fiel à simplicidade do Sermão de Cristo e, ao mesmo tempo, tratando de alguns detalhes mais técnicos que só aparecem na Bhagavad Gita.

Chico Xavier escreve de forma livre. Traz para dentro do corpo doutrinário do Espiritismo esta compreensão de movimento evolutivo, que torna o Espírita menos dogmático, quando comparado aos membros de outras religiões ocidentais. O Espírita tem por princípio não julgar as diferentes manifestações filosóficas e religiosas. Costuma dar exemplo de compreensão e tolerância. Tem consciência de que não é a religião, mas o esforço em sublimar as más inclinações que conduz à salvação. É o Espírita quem entende o Sermão da Montanha de Jesus como esse convite para vencer a si mesmo.

Desse modo, a doutrina Espírita firma-se no Brasil resgatando o antigo entendimento do pensamento oriental de que tudo, desde a superestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, está mergulhado na substância viva da Mente de Deus [“Fluido Cósmico Universal”, LE, Q. 26]. No livro Nos Domínios da mediunidade, que discutimos nas próximas seções, Chico Xavier vale-se do Espírito Albério para tratar deste assunto em diversas passagens, como a que se segue: “Filhos do Criador, d’Ele herdamos a faculdade de criar e desenvolver, nutrir e transformar” (p. 16). Pode-se argumentar que o Espiritismo surge para aprofundar a experiência religiosa ocidental [LE, Q. 1010], possibilitando a associação do Cristo e do Criador na figura do ser que a literatura recente designa como o ‘Cristo planetário’. Nas escrituras sagradas da Índia, o termo sânscrito que designa a este ser é ‘Ishvara’, que representa os aspectos da divindade relacionados com as funções de criação, desenvolvimento e destruição (ou re-assimilação) do universo [LE, Q. 68-70].

Além disto, ao reconhecer o antigo conceito de karma, oriundo da literatura sânscrita da Índia, a literatura Espírita esbarra também no conceito designado pelo seu termo correlato, dharma. Quando Chico Xavier afirma em vários momentos de sua obra que cada alma se alinha em seu mundo ‘kármico’ em conformidade com o seu ‘hálito’ mental, o faz em consonância com o que antes já haviam feito os indianos, ou seja, baseando-se em certas ‘leis de equilíbrio’, desconhecidas, até então, do pensamento da tradição judaico-cristã, embora sugeridas pelo próprio Cristo. Tais leis, na Índia, designam-se pelo nome geral de ‘dharma’. De acordo com a literatura dos Vedas e Upanishades, karma e dharma são conceitos interdependentes, de modo que o conhecimento de um implica no conhecimento do outro. Pode-se dizer, portanto, que por intermédio de André Luiz, o ocidente tem acesso ao antigo conceito que o oriente designa pelo termo ‘dharma’, recuperando e atualizando o seu sentido, em parte desgastado pelo tempo, em função do mau uso.

Desde os primórdios da cultura védica os conceitos de karma e dharma representam os fundamentos onde se assentam os sistemas que buscam explicar como os seres viventes se desenvolvem dentro do campo material. A literatura sânscrita refere-se à esta adequação da ação humana (karma) aos princípios holísticos que regem o universo (dharma) como ‘samsara vyavasya’, literalmente, ‘o modo de funcionar no mundo’. O texto de André Luiz sugere esta mesma relação já em seu início, quando o Espírito Albério ensina: “agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos.” (p. 16-17).

Quando Herculano Pires introduz na doutrina Espírita o termo sânscrito ‘karma’, que sequer fazia parte do vocabulário de Kardec, possibilita um melhor entendimento das leis deste funcionamento no mundo (leis de ação e reação) e inaugura um novo período dentro do espiritismo. A partir daí a teoria reencarnacionista e as práticas de mediunidade foram impondo-se de tal modo que, nos dias de hoje, ninguém de bom-senso diria que um homem como Chico Xavier foi um herege, ou que se desviou do Evangelho.

O fato é que nunca nos foi muito estranha a idéia de que somos todos dotados de certa mediunidade natural, por onde recebemos as influências que nos estimulam em nossas experiências cotidianas. As questões em torno da mediunidade já estavam presentes no Brasil antes mesmo da chegada da doutrina Espírita. E mesmo a definição mais restrita, conforme proposta por Kardec, de que médium é todo aquele que sente a presença ostensiva dos Espíritos, servindo de ponte entre estes dois mundos, não é muito diferente do que por aqui já se praticava. Desse modo, o kardecismo que fora impensável para a conservadora Europa, viabiliza-se no Brasil de forma bastante natural, tendo como base de sustentação as obras de espíritas como Chico Xavier.

Não há hierarquia dentro do Movimento Espírita Brasileiro. Chico Xavier não representa uma autoritária figura central, pelo contrário, representa o resgate da proposta original do Sermão da Montanha, onde a fonte de autoridade, do mesmo modo que na Bhagavad Gita, emana do coração. Desse modo, ao aceitar o Universo como a exteriorização do Pensamento Divino [LE, Q. 38 e A Gênese, Cap. VI], o Espírita possibilita o estabelecimento de um rico diálogo filosófico com o oriente [ver, por exemplo, O que é o Espiritismo?, de Kardec], pois considera Paraíso e Inferno [CI, Cap.III e IV], Adão e Eva [LE, Q. 50-51 e 59] e outros temas bíblicos como meras metáforas.

Nem sempre, entretanto, é simples identificar o que emana do coração. Se Gandhi, por exemplo, afirma ter realizado tudo o que realizou inspirado no ensinamento de Krishna na Gita para seguir a voz do coração, conta a história que o assassino de Gandhi, também dizia estar seguindo o seu coração. Daí, em suma, a importância da obra de Chico Xavier, pois sinaliza para esta distinção.

Continua…

*Rubens Turci é doutor em Filosofia (UFRJ) e em Estudos Religiosos (McMaster University) e pesquisador do Laboratório de Estudos da Índia e Ásia do Sul (LEIAS) da UFRJ.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bons e maus pensamentos

Estudando o assunto relacionado com a influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos, na questão 467 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), Allan Kardec pergunta: Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal ? E os Espíritos superiores respondem: “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”.

Em seguida, na questão 469, indaga: Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos ?, recebendo a seguinte resposta: “ Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. (...)”.

Observa-se, com base neste diálogo de Allan Karde com os Espíritos superiores, que a causa dos problemas decorrentes da influência dos Espíritos em nossas vidas está em nós mesmos. E a solução desses problemas, também. Depende, apenas, do pensamento correto e da atitude adequada que nos cabe adotar.

Quando soubermos direcionar o nosso pensamento sempre no sentido da prática do bem, cultivando permanentemente a fraternidade, o amor ao próximo, o respeito ao nosso semelhante e o propósito sincero de nos aprimorar cada vez mais, intelectual e moralmente, estaremos – pela lei da afinidade que rege o relacionamento entre os Espíritos encarnados e desencarnados -, atraindo a presença dos Espíritos superiores e bons e afastando os Espírios inferiores e maus.

É exatamente em razão desta realidade que Jesus asseverou em seu Evangelho: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”. (Marcos, 14:38)

Reformador – Outubro 2008 - Editorial

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